"A EXPERIÊNCIA DE BRANQUINHA": Um estudo das atividades produtivas da Associação das Produtoras Agroecológicas da Zona da Mata de Alagoas – APROAGRO, conforme os princípios da Economia de Comunhão EdC
Experiência de Branquinha. Economia de Comunhão. Reciprocidade. Gratuidade.
O objetivo desta tese é analisar as práticas solidárias produtivas realizadas pela Associação das Produtoras Agroecológicas da Zona da Mata de Alagoas – APROAGRO, a partir dos princípios da Economia de Comunhão EdC. Com base nas tensões socioprodutivas, será levada em consideração a eficácia da dinâmica produtiva. Trata-se de uma associação de mulheres do assentamento Zumbi dos Palmares, município de Branquinha/AL, cujo caráter familiar tem como objetivo gerar renda para os moradores do assentamento. As atividades desempenhadas são essencialmente agrárias, isto é, voltadas para a agricultura familiar e atividades artesanais. Têm como objetivo serem gerenciadas e comercializadas de forma comum, de acordo com o estilo de produção cooperativista. A Economia de Comunhão tem como objetivo, mediante a ética cristã da partilha gratuita e recíproca dos bens materiais, suscitar, na liberdade, a divisão de parte dos lucros obtidos por empresas que aderem a esta proposta. Intervir junto aos empobrecidos, na perspectiva de sua inclusão socioeconômica é a meta a ser atingida. Trata-se de um projeto que foi lançado no Brasil, em maio de 1991, pela italiana Chiara Lubich (1920-2008), fundadora do grupo religioso cristão católico denominado Movimento dos Focolares. A abordagem seráum estudo de caso no contexto socioeconômico da APROAGRO, como alternativa ao modelo de produção hegemônico capitalista. O embasamento teórico principal apoiou-se na perspectiva da teoria da dádiva de Marcel Mauss (1974), mediante a qual foi possível realizar uma discussão acerca dos fundamentos teóricos da Economia de Comunhão, relacionando-os às práticas produtivas do empreendimento. Ao indagarmos sobre a eficácia e a viabilidade econômica da EdC, partimos da hipótese de que os projetos de desenvolvimento econômico que foram realizados na associação, sob a égide da Economia de Comunhão, geraram melhorias socioeconômicas para os assentados. Consequentemente, o capital poderá ser considerado mais humanizado na medida em que sua aquisição e distribuição forem resultados de uma dinâmica produtiva solidária.