IA com Propósito: Duna Labs e a Plataforma ACORI para o Setor Imobiliário
Inteligência Artificial; Inovação; Proptech; Mercado Imobiliário; Automação de Atendimento; Startups; WhatsApp.
A disseminação acelerada da Inteligência Artificial (IA) tem evidenciado um paradoxo contemporâneo. De um lado, projeções apontam para ganhos trilionários em valor econômico e relatórios destacam seu potencial transformador em diversos setores. De outro, observa-se uma elevada taxa de insucesso, com estimativas indicando que entre 70% e 85% dos projetos de IA não alcançam seus objetivos. Além desse descompasso, emerge a problemática do excesso de ferramentas e soluções de IA disponíveis no mercado, muitas vezes oferecidas de forma fragmentada e sem conexão com necessidades reais de usuários e empresas. Esse cenário gera confusão, dispersão de recursos e dificuldade de adoção, sobretudo quando não há a mediação de especialistas capazes de orientar e traduzir a tecnologia em aplicações práticas. A ausência de guias humanos com expertise na área, que possam alinhar escolhas tecnológicas a propósitos claros e a problemas concretos, amplia a lacuna entre o potencial teórico da IA e sua materialização em resultados sustentáveis.
O objeto empírico da pesquisa é a Duna Labs Creative Technologies, startup sediada em Natal/RN, estruturada em três pilares: Educação e Consultoria, Estúdio Criativo e Desenvolvimento de Soluções. Sua missão é democratizar o acesso à IA aplicada, promovendo a interação de interessados leigos com especialistas da área, denominados GuIAs. Esses profissionais atuam como tradutores entre a linguagem técnica e a necessidade prática, compreendendo a problemática apresentada, sugerindo as soluções adequadas já existentes ou desenvolvendo novas sob demanda. O foco recai na resolução efetiva do problema enfrentado pelo usuário, e não na ferramenta em si, assegurando que a adoção da tecnologia esteja alinhada a um propósito claro e funcional.
O estudo de caso concentra-se no Acori, agente inteligente WhatsApp-first voltado para corretores de imóveis, selecionado entre as dez melhores startups pelo programa Startup Nordeste (Sebrae, 2025). O sistema integra automação de atendimento, qualificação de leads, gerenciamento de anúncios e geração de relatórios, apoiando atividades críticas da jornada de trabalho do corretor.
Metodologicamente, a pesquisa articula três dimensões. A dimensão científica fundamenta-se em autores como Schumpeter, Agrawal, Gans e Goldfarb, que situam a IA como tecnologia de predição. A dimensão tecnológica contempla o desenvolvimento do Acori em fases de prova de conceito, mínimo produto viável e implementação produtiva. A dimensão de inovação aborda a modelagem de negócio, a validação com usuários e as estratégias de tração mercadológica. O percurso metodológico adota ainda referências empíricas, como pesquisas de mercado e entrevistas qualitativas com corretores, que orientaram o design do produto.
Os resultados demonstram que a aplicação de IA com propósito possibilita reduzir barreiras de adoção tecnológica, gerar valor incremental imediato e preparar o terreno para soluções mais autônomas. Conclui-se que o alinhamento entre necessidades reais de mercado, uso pragmático da tecnologia e modelos de negócio viáveis constitui condição essencial para superar a elevada taxa de insucesso de projetos de IA. Nesse sentido, o estudo contribui para o campo da Ciência, Tecnologia e Inovação ao oferecer evidências empíricas de como startups podem atuar como vetores de difusão da inteligência artificial em setores tradicionais da economia.