A INFLUÊNCIA DE FATORES POLÍTICOS E ECONÔMICOS NA SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DOS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS
Regimes Próprios de Previdência Social, Ciclos Políticos, Resiliência financeira, Sustentabilidade Financeira.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar os fatores políticos e econômicos que influenciam a sustentabilidade financeira dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) nos municípios brasileiros. A sustentabilidade financeira é compreendida como a capacidade dos regimes de manterem o equilíbrio entre receitas e despesas previdenciárias, assegurando o cumprimento de suas obrigações correntes. No segundo artigo, este equilíbrio financeiro é utilizado como proxy da resiliência financeira, por representar a capacidade dos RPPS de enfrentar choques políticos e econômicos. Para atingir esse objetivo, foi realizada pesquisa quantitativa, descritiva e explicativa, baseada em dados obtidos em bases oficiais. A população é composta por 2.127 Regimes Próprios de Previdência Social municipais brasileiros, abrangendo o período de 2015 a 2024. A análise dos dados foi conduzida por meio de modelos de regressão com dados em painel, permitindo identificar a influência de fatores políticos, econômicos e institucionais sobre a sustentabilidade financeira dos RPPS. A dissertação está estruturada em dois artigos científicos complementares, que abordam diferentes dimensões da sustentabilidade financeira dos regimes próprios. O primeiro artigo, intitulado “Os ciclos políticos e o alinhamento partidário como fatores explicativos da condição financeira dos RPPS”, investiga como a alternância de poder e a orientação partidária dos gestores públicos impactam a sustentabilidade financeira dos RPPS. Utilizando uma população de 2.127 RPPS municipais, delimitando o período de 2015 a 2024 e considerando os ciclos eleitorais, a pesquisa procura identificar padrões de comportamento político que influenciam diretamente as decisões fiscais e previdenciárias. Os resultados indicam que a variável do equilíbrio financeiro dos RPPS é influenciada principalmente por fatores estruturais dos regimes, enquanto as variáveis de natureza política evidenciaram influência de forma limitada. O segundo artigo também reúne uma população de 2.127 RPPS municipais brasileiros, no período de 2015 a 2024, todavia, analisando a resiliência financeira dos RPPS municipais em tempos de choques políticos e econômicos como a Recessão Econômica de 2015-2016, a Reforma da Previdência de 2019 e a pandemia COVID-19. Os resultados evidenciam que a resiliência financeira é afetada tanto por fatores institucionais quanto econômicos. Em conjunto, os resultados reforçam que a sustentabilidade financeira dos RPPS é resultado da interação entre fatores políticos, econômicos e institucionais, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre os determinantes da gestão previdenciária municipal.