ESCOLHA DA CARREIRA CONTÁBIL UM ESTUDO INTERGERACIONAL SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL DO DESENVOLVIMENTO DE CARREIRA
Carreira contábil; Escolha profissional; Geração X; Geração Y; Geração Z
Esta dissertação tem como objetivo investigar como profissionais das gerações X, Y e Z construíram suas trajetórias na carreira contábil, à luz da Teoria da Aprendizagem Social do Desenvolvimento de Carreira (SLTCDM), desenvolvida por Krumboltz (1996, 2009). A teoria da aprendizagem social orienta as pessoas a focarem na aprendizagem, no desenvolvimento de habilidades e competências, destacando também o processo e a metodologia de tomada de decisão profissional (Patton & McMahon, 2006; Huang et al., 2020). A pesquisa partirá do pressuposto de que a escolha profissional é um processo complexo e multifatorial, influenciado por fatores subjetivos, sociais, históricos e contextuais, e não apenas por critérios objetivos ou racionais (Aguiar, 2006; Sousa e Fialho, 2013). A SLTCDM considera que as decisões de carreira decorrem da interação entre quatro categorias: dotação genética e habilidades especiais, condições ambientais, experiências de aprendizagem (instrumentais e associativas) e habilidades de abordagem de tarefas (Krumboltz; Mitchell;Gelatt, 1976). Essa abordagem será especialmente útil para analisar as trajetórias profissionais em um contexto de instabilidade, mudanças tecnológicas e redefinições organizacionais (Krumboltz; Levin, 2010). A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa conforme proposta por Flick (2009), que permitirá a construção teórica fundamentada nas experiências vividas pelos participantes. Será utilizada a técnica de coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas aplicadas a contadores já formados com experiências profissionais e atuantes nas cidades de Boa Vista – RR, Natal – RN e Manaus – AM, buscando compreender em profundidade os sentidos atribuídos à carreira contábil em diferentes gerações (Kallio et al., 2016; Bimrose; Hearne, 2021). Espera-se que os resultados revelem diferenças significativas entre as gerações no modo como se relacionam com o trabalho: a geração X tende a valorizar estabilidade e lealdade organizacional; a geração Y, por sua vez, busca flexibilidade, autonomia e realização pessoal; enquanto a geração Z apresenta preferência por inovação, autenticidade e conexão com causas sociais, justamente pelo fato de serem nascidos em mundo conectado (Zemke et al., 2000; Souza e Colauto, 2021; Barhate; Dirani, 2022). Ainda assim, acredita-se que haverá pontos
de convergência, como a valorização do desenvolvimento contínuo de competências e o desejo de reconhecimento profissional (Veloso; Silva; Dutra, 2012). Ao final, a pesquisa pretende contribuir com a literatura contábil ao oferecer uma análise aprofundada e crítica sobre a construção intergeracional das trajetórias profissionais, além de fornecer subsídios para instituições educacionais, organizações e entidades de classe que atuam na formação e gestão de profissionais da contabilidade.