Avaliação do impacto do sobrepeso sobre os desfechos reprodutivos de mulheres inférteis submetidas à fertilização in vitro.
Infertilidade; Anovulação; IMC; Reprodução Humana Assistida; Qualidade embrionária; Gravidez.
O desejo de ter um filho está presente nos anseios de grande parte dos indivíduos adultos. No
entanto, nem todo casal consegue espontaneamente conduzir uma gravidez e uma parte
necessita de tratamentos de reprodução humana assistida (RHA). Dentre as causas relacionadas à
infertilidade feminina destacam-se alterações do índice de massa corporal (IMC), associado ou
não a outros fatores, como endometriose e fatores anatômicos, os quais podem impactar de
diferentes formas nos desfechos reprodutivos em tratamentos de RHA. Neste contexto,
objetivou-se neste estudo avaliar a qualidade oocitária e embrionária de pacientes submetidas à
fertilização in vitro (FIV), possuindo diferentes graus de IMC, associados ou não a outros fatores
de infertilidade. Para tal, foi realizado um estudo observacional descritivo, longitudinal e
retrospectivo, a partir da coleta de dados secundários no Centro de Reprodução Assistida da
Maternidade Escola Januário (Natal – RN), onde foram analisados os prontuários de pacientes
atendidas entre os anos de 2013 e 2024. Após aplicação de critérios de inclusão e exclusão, 189
pacientes, que consentiram no acesso aos dados de seus prontuários, compuseram a amostra
deste estudo. O IMC mostrou-se como um dos fatores de infertilidade mais relevantes, sendo
que neste estudo 29,51% das pacientes apresentaram-se eutróficas e 65,57% apresentaram
sobrepeso. Apenas 2 pacientes apresentaram baixo peso e 4 apresentaram obesidade (grau 1).
Na análise comparativa entre pacientes eutróficas e com sobrepeso, não foram observadas
diferenças estatisticamente significativas quanto aos parâmetros oocitários analisados (p>0,05).
No entanto, parâmetros como a contagem de folículos antrais e o número de oócitos
recuperados foram significativamente reduzidos quando o sobrepeso esteve associado a outros fatores de infertilidade, como a endometriose, idade avançada e fatores tubários. Impactos
negativos do sobrepeso foram observados também quando analisados parâmetros indicativos
tanto da qualidade oocitária quanto embrionária. Observou-se ainda que os embriões das
pacientes com sobrepeso apresentaram maior percentual de fragmentação embrionária leve no
terceiro dia pós FIV (p<0,05), sem diferença significativa quando comparado os graus de
fragmentação moderada ou severa. A análise dos dismorfismos oocitários demonstrou ausência
de diferenças estatisticamente significativas nas alterações morfológicas entre pacientes
eutróficas e com sobrepeso, embora o grupo com sobrepeso tenha apresentado maior média de
oócitos rompidos e com presença de espaço perivitelino aumentado. Os achados deste estudo
evidenciam importantes impactos do sobrepeso sobre os oócitos das pacientes, ao passo que
este, isoladamente, não parece interferir na qualidade dos embriões produzidos a partir destes
oócitos. Não se sabe, porém, se os impactos apontados por este estudo foram capazes de induzir
a alterações genéticas nestes embriões, que pudessem levar a comprometimentos duturos
durante a gestação ou no período pós-natal.