Banca de DEFESA: CLARA DE SOUZA MELO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CLARA DE SOUZA MELO
DATA : 26/02/2026
HORA: 09:30
LOCAL: Sala do Museu de Ciências Morfológicas
TÍTULO:

Padrões reprodutivos e malformações congênitas em tartarugas marinhas: uma avaliação ecomorfológica em uma área emergente de desova


PALAVRAS-CHAVES:

proporção sexual; desenvolvimento embrionário; urbanização costeira; Eretmochelys imbricata.


PÁGINAS: 89
RESUMO:

As tartarugas marinhas desempenham papel ecológico fundamental nos ecossistemas marinhos e costeiros, e o monitoramento das áreas de desova é essencial para compreender padrões reprodutivos, tendências populacionais, impactos ambientais e variações ecomorfológicas associadas ao desenvolvimento embrionário. A região de São Miguel do Gostoso (RN) vem apresentando aumento expressivo no número de desovas sugerindo a possibilidade de se configurar como uma área emergente de reprodução no Atlântico Sul. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo caracterizar a atividade reprodutiva de tartarugas marinhas no litoral norte do Rio Grande do Norte, integrando a análise da distribuição espaço-temporal das desovas, fatores ambientais de incubação e variações morfológicas dos filhotes, com ênfase na proporção sexual e na ocorrência de malformações congênitas. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram registradas 579 ocorrências reprodutivas ao longo de 57 km de praias monitoradas diariamente nos municípios de São Miguel do Gostoso, Pedra Grande, São Bento do Norte e Touros, pelo Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAM), resultando em 434 desovas confirmadas. A espécie Eretmochelys imbricata foi responsável pela maior parte dos registros (≈70%), seguida por Chelonia mydas e Lepidochelys olivacea. A análise espacial evidenciou forte concentração de ninhos em São Miguel do Gostoso (84%), com diferenças significativas entre as praias monitoradas, enquanto a distribuição temporal indicou aumento do número de desovas entre os meses de janeiro e março, caracterizando a sazonalidade reprodutiva na região. Os parâmetros climáticos de temperatura do ar, umidade relativa e precipitação, obtidos por meio da plataforma NASA/POWER, foram utilizados para caracterizar o contexto ambiental durante a incubação dos ninhos, que atingiu taxa de sucesso reprodutivo de 77%. Apesar das taxas consideradas satisfatórias, variações térmicas apresentaram correlação com o aumento de ovos gorados e filhotes natimortos, evidenciando a sensibilidade do desenvolvimento embrionário às condições ambientais. A análise histológica das gônadas de 104 filhotes natimortos de E. imbricata revelou um viés de feminização na área de estudo, com 75,96% dos indivíduos identificados como fêmeas e 24,04% como machos, resultando em uma proporção sexual aproximada de 3:1. Quanto às malformações congênitas, foram registrados 152 filhotes com indícios em campo, dos quais 42 apresentaram condições adequadas para análise morfológica detalhada em laboratório. As malformações foram agrupadas em cinco categorias principais, sendo as alterações de carapaça e plastrão as mais frequentes, seguidas por anomalias craniofaciais e oculares, síndromes polimalformativas, alterações pigmentares do tipo leucismo e, de forma rara, malformações de membros. De forma integrada, os resultados demonstram que, mesmo em um cenário de produtividade reprodutiva, fatores ambientais e antrópicos podem influenciar a qualidade do desenvolvimento embrionário, refletindo-se tanto na proporção sexual quanto na ocorrência de malformações congênitas. Desta forma, este estudo fornece um panorama ecomorfológico inédito da atividade reprodutiva de tartarugas marinhas no litoral norte potiguar, contribuindo para o reconhecimento de São Miguel do Gostoso como área prioritária para a conservação, especialmente diante do avanço das pressões turísticas e imobiliárias sobre o ambiente costeiro.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1672446 - SIMONE ALMEIDA GAVILAN
Externa à Instituição - ALINE DA COSTA BOMFIM VENTURA - CEMAM
Externo à Instituição - GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA - UFRPE
Notícia cadastrada em: 25/02/2026 14:37
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