Ação do Extrato da Opuntia Cochenillifera na Morfofisiologia Reprodutiva de Camundongos Obesos Via Dieta Hiperlipídica
Obesidade. Nopalea cochenillifera. Morfologia. Espermatogênese. Esteroidogênese.
A obesidade representa um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea, sendo caracterizada por distúrbios metabólicos e inflamatórios que comprometem diversos sistemas do organismo, incluindo o reprodutor. O estado inflamatório crônico e o desequilíbrio hormonal decorrentes do acúmulo excessivo de tecido adiposo afetam diretamente o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em prejuízos à espermatogênese e à esteroidogênese. Considerando as limitações das terapias farmacológicas atuais, compostos naturais com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias têm sido amplamente investigados, destacando-se o extrato da Opuntia cochenillifera (EOC), uma cactácea rica em polifenóis e tradicionalmente utilizada no semiárido brasileiro. Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar os efeitos do extrato hidroetanólico da O. cochenillifera sobre os parâmetros metabólicos e a morfofisiologia reprodutiva de camundongos C57BL/6J obesos via dieta induzida. Quarenta animais foram distribuídos em quatro grupos experimentais (n=10): Controle (C), Controle + EOC (CP), High-fat (HF) e High-fat + EOC (HFP). A obesidade foi induzida durante 12 semanas e o tratamento com EOC (200mg/kg de massa corporal) foi realizado por 8 semanas adicionais. Foram analisadas a massa corporal, ingestão alimentar e energética, distribuição de gordura, perfil glicêmico e lipídico; parâmetros histológicos, morfométricos, estereológicos, ultraestruturais e moleculares dos testículos e parâmetros histológicos da próstata. Os resultados demonstraram que o tratamento com o EOC promoveu efeitos expressivos no metabolismo e na morfofisiologia reprodutiva dos camundongos obesos. Em comparação com o grupo HF, o grupo HFP apresentou redução da massa corporal em 24% (p<0.0001) e do acúmulo de gordura epididimária e subcutânea em 321% e 242%, p<0.0001; respectivamente. Em paralelo, houve redução de 35% (p<0.0001) na glicemia em jejum, melhora considerável na tolerância à glicose e diminuição dos níveis plasmáticos do colesterol total (-46%, p<0.0001) e do triacilglicerol (-40%, p<0.01). No aspecto reprodutivo, houve aumento de 34% (p<0.0001) na massa testicular, de 25% (p<0.001) na densidade de volume dos túbulos seminíferos, de 39% (p<0.0001) na densidade de volume das células de Leydig, de 21% (p<0.0001) no diâmetro dos túbulos seminíferos e de 23% (p<0.05) na altura do epitélio germinativo, evidenciando a recuperação da espermatogênese e da função gonadal. Paralelamente, a análise histológica demonstrou que a dieta hiperlipídica comprometeu a citoarquitetura testicular com impactos na integridade dos túbulos seminíferos e no epitélio germinativo; o EOC mitigou esses danos, preservando a organização e a integridade dessas estruturas. As análises ultraestruturais corroboraram esses achados, indicando preservação da integridade subcelular nos animais tratados. A expressão gênica revelou que a dieta hiperlipídica induziu desregulação de vias metabólicas, antioxidantes, inflamatórias e apoptóticas, alterações que foram significativamente atenuadas pelo tratamento com o EOC. As análises histológicas da próstata demonstraram que a dieta hiperlipídica comprometeu a organização tecidual, enquanto o tratamento com o extrato preservou a integridade estrutural glandular. De forma integrada, os achados indicam que o EOC reverteu a obesidade e os seus efeitos deletérios, restaurando o equilíbrio metabólico, inflamatório e oxidativo, mitigando as alterações morfofisiológicas reprodutivas nos camundongos obesos.