Avaliação histopatológica e laboratorial em Globicephala macrorhynchus, Odontoceti, decorrente de um encalhe em massa.
Contaminantes; Conservação Marinha ; Patologia; Cetáceos.
O encalhe de cetáceos é um evento crítico para a conservação marinha e um indicador importante da saúde dos ecossistemas costeiros, sendo frequentemente associado a fatores ambientais, patológicos e antropogênicos. Este estudo visou analisar as alterações anatomopatológicas, bioquímicas, hematológicas e toxicológicas de uma fêmea de baleia-piloto-de-barbatanas-curtas (Globicephala macrorhynchus), que veio a óbito durante um encalhe em massa de 21 indivíduos na Praia de Pititinga, Rio Grande do Norte. As análises foram realizadas em colaboração com diferentes laboratórios especializados. O exame necroscópico permitiu a descrição macro e microscópica, evidenciando lesões cutâneas, congestão de mucosas, presença de parasitas nas bulas timpânicas. A avaliação histopatológica identificou, degeneração tubular renal, espessamento da cápsula glomérulos, áreas multifocais de necrose hepática, fibrose periportal moderada e inflamação pulmonar aguda. Corroborando o quadro sistêmico, o hemograma apresentou leucopenia, enquanto os bioquímicos demonstraram elevação de creatinina, ureia, TGP/ALT e fósforo. A análise toxicológica revelou níveis elevados de mercúrio e cádmio, sugerindo exposição crônica a contaminantes ambientais, tais metais pesados são reconhecidos por seus efeitos imunossupressores e neurotóxicos. As bulas timpânicas apresentaram a presença de nematódeos pertencentes à espécie Stenurus globicephalae. Os achados sugerem que o animal apresentava um quadro sistêmico grave e multifatorial, marcado por parasitismo intenso, inflamação crônica e sinais de imunossupressão. Este estudo oferece uma contribuição inédita para o conhecimento de aspectos gerais da morfologia macro e microscópica desse espécime, que, aliado aos resultados de análises clínicas e toxicológicas favorecem o monitoramento da saúde de cetáceos odontocetos no litoral potiguar e reforça a necessidade de incorporar abordagens toxicológicas, parasitológicas, histopatológicas e hematológicas em investigações de encalhes, especialmente em espécies gregárias de topo trófico como G. macrorhynchus.