Obesidade, Metabolismo Energético e Neuroinflamação: Efeitos Anorexígenos e Anti-inflamatórios do Extrato da Opuntia cochenillifera
Obesidade. Metabolismo Energético. Neuroinflamação. Tecido adiposo branco. Nopalea cochenillifera.
A obesidade é um problema atual e relevante de saúde pública, que reduz a expectativa de vida e consome recursos financeiros expressivos; além de estar associada à diversas comorbidades, tais como doenças cardíacas, doenças hepáticas, dislipidemias e resistência à insulina, sendo o conjunto destas comorbidades denominado de síndrome metabólica (SM). As manifestações clínicas da obesidade afetam principalmente o tecido adiposo branco (TAB) e a regulação central do metabolismo energético; o hipotálamo. Há o aumento na produção de citocinas inflamatórias pelo TAB, principalmente da leptina, das ILs e do TNF-α, o que gera inflamação sistêmica e hipotalâmica. Esse quadro inflamatório exerce efeitos negativos na regulação dos neurônios POMC/CART e AgRP/NPY, responsáveis pela atividade anorexigênica e orexigênica respectivamente. Em paralelo, a resistência à leptina gera inflamação hipocampal. Neste contexto, estratégias terapêuticas que combatam a obesidade e os seus desfechos metabólicos são necessárias. A Opuntia cochenillifera, é uma cactácea rica em compostos fenólicos e tradicionalmente utilizada no semiárido brasileiro para o tratamento de diversas comorbidades. Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar os efeitos do extrato hidroetanólico da O. cochenillifera (EOC) no metabolismo energético e na neuroinflamação em camundongos obesos via dieta induzida. Quarenta camundongos C57BL/6 foram distribuídos em quatro grupos experimentais (n=10): Controle (C), Controle + EOC (CP), High-fat (HF) e High-fat + EOC (HFP). A obesidade foi induzida durante 12 semanas e o tratamento com EOC (200mg/kg de massa corporal) foi realizado por 8 semanas adicionais. Foram analisadas a massa corporal, a ingestão alimentar e energética, a adiposidade, os perfis glicêmico e lipídico; o TAB e o hipocampo (parâmetros histológicos e estereológicos). Em comparação com o grupo HF, o grupo HFP apresentou redução da massa corporal em 24% (p<0.0001) e do acúmulo de gordura epididimária e subcutânea em 321% e 242%, p<0.0001; respectivamente. Quanto ao metabolismo de carboidratos e lipídios, houve redução de 35% (p<0.0001) na glicemia em jejum, melhora considerável na tolerância à glicose e diminuição dos níveis plasmáticos do colesterol total (-46%, p<0.0001) e do triacilglicerol (-40%, p<0.01). As análises histológicas mostraram infiltrado inflamatório e hipertrofia nos adipócitos brancos do TAB no grupo HF, o EOC reverteu essas alterações. A área seccional média dos adipócitos (ASM) exibiu aumento significativo no grupo HF em comparação grupo C (+172%, p<0.0001), enquanto o tratamento com o EOC reduziu de forma significativa a ASM em relação grupo HF (-67%, p<0.0001). A análise da área CA1 do hipocampo mostrou que, em comparação ao grupo C, o grupo HF exibiu neurônios dismórficos, hipercorados (escuros) e com núcleos picnóticos, alterações indicativas de apoptose. O tratamento com o EOC foi capaz de reverter esses danos estruturais nos neurônios. As análises estereológicas reforçam esses dados, pois foi observado que o grupo HF apresentou redução da densidade de volume de neurônios viáveis de 40% (p<0.001) e que o grupo HFP recuperou a viabilidade desses neurônios (+34%, p<0.001). Esses resultados parciais mostram que o EOC exerceu efeitos antiobesogênicos, anorexígenos, antiadipogênicos, anti-inflamatórios e neuroprotetores no modelo de obesidade induzida. As análises da expressão de genes relacionados à via de sinalização da leptina, as vias anorexígenas/orexígenas e as vias inflamatórias em andamento, contribuirão para complementar esses achados e para elucidar os mecanismos de ação do EOC no metabolismo energético e na neuroinflamação.