Efeitos da exposição de ratos ao Labirinto em Cruz Elevado Aberto durante a primeira fase do Teste de Formalina
Labirinto em Cruz Elevado; Antinocicepção; Teste de Formalina; Medo; Estresse.
Animais expostos a ambientes ameaçadores inatos ou aprendidos, apresentam comportamentos
defensivos, promovendo a sua auto preservação. Frequentemente, dentre as respostas comportamentais,
os animais exibem antinocicepção induzida pelo medo (FIA, do inglês Fear-Induced Antinociception). Em
modelos experimentais, a combinação do Labirinto em Cruz Elevado (LCE) com o Teste de Formalina é
relevante para a compreensão dos mecanismos subjacentes à FIA. Contudo, apesar de estudos
investigarem a antinocicepção durante a segunda fase do teste de formalina, existe uma lacuna no
conhecimento sobre sua ocorrência na primeira fase. Nesse sentido, o objetivo dessa pesquisa foi
investigar o efeito da exposição de ratos ao LCE durante a primeira fase do teste de formalina. Além disso,
foi avaliado a influência de exposições repetidas ao LCE sobre a nocicepção. Para isso, foram utilizados 95
ratos Wistar adultos (2 à 3 meses). No primeiro experimento, os animais (n=25) receberam injeção de
formalina e foram expostos a três diferentes ambientes: Caixa de Vidro (controle), LCE fechado (LCEf) ou
LCE aberto (LCEa) durante os cinco minutos iniciais do teste. No segundo experimento, os animais foram
divididos em cinco grupos (n=7 por grupo): os que foram expostos uma, duas, três, quatro ou seis vezes ao
LCEf ou LCEa. Os resultados do primeiro experimento revelaram uma diferença estatística (utilizando
ANOVA one-way) entre os diferentes tipos de ambientes (p < 0,01) com teste post hoc de Tukey revelando
diferenças entre os grupos LCEa e Controles (p < 0,05) e entre LCEa e LCEf (p < 0,05). Além disso, o teste T
de Student revelou diferença estatística entre primeira e segunda fase do teste de formalina para os
animais expostos ao LCEa durante a primeira fase e, posteriormente, transferidos para a caixa de vidro,
onde a segunda fase (p < 0,01) foi avaliada. No segundo experimento, a ANOVA bifatorial revelou
diferença estatística para o fator “tipo de labirinto” (LCEf ou LCEa) (p < 0,001) enquanto que valores para o
fator “dias de exposições” não revelaram diferença estatisticamente significativa. Esses resultados
mostraram que a antinocicepção induzida pelo LCEa ocorreu durante a primeira fase do teste de formalina
e, exposições repetidas ao LCEa não alteraram a resposta nociceptiva. Dessa forma sugere-se que, com
base no segundo experimento, a analgesia induzida pelo LCEa parece ser produzida por mecanismos não opióides.