Avaliação hepática de camundongos diabéticos tratados com extrato hidroalcoólico da casca do fruto de Spondias tuberosa Arruda
Diabetes Mellitus experimental. Spondias tuberosa. Fígado. Morfologia.
O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) ocorre devido a falha na secreção de insulina pela destruição autoimune das células beta pancreáticas causando hiperglicemia e comprometimento sistêmico. Neste quadro, o fígado, afetado comumente, apresenta-se com diversas alterações morfofuncionais e acúmulo de espécies reativas de oxigênio (EROs). Mediante etiologia multifatorial, a fisiopatologia do DM não é completamente elucidada, o que limita a especificidade das terapias farmacológicas. Desta forma, tratamentos alternativos à base de plantas medicinais são potencialmente úteis para tratar o DM. A espécie Spondias tuberosa Arruda (“umbuzeiro”) tem sido utilizada popularmente para o tratamento de doenças digestivas, infecções e diabetes, entretanto, pouco explorada cientificamente. Considerando seu potencial farmacológico, o objetivo desta pesquisa é avaliar o possível efeito hepatoprotetor do extrato hidroalcoólico da casca do fruto da Spondias tuberosa Arruda (ExSt) em animais diabéticos. Foram utilizados 40 camundongos machos C57BL/6, o DM foi induzido por estreptozotocina (65 mg/kg i.p.) e o ExSt administrado de forma terapêutica ou preventiva durante 7 semanas consecutivas por via oral na dose de 100mg/kg. Foram estabelecidos 4 grupos: CT: Grupo controle; DM: Grupo diabético; DM/TER: Grupo diabético/terapêutico; DMPRE: Grupo diabético/preventivo. Amostras de soro e fígado foram encaminhadas para análise bioquímica, morfológica e molecular. Os resultados mostraram que animais diabéticos obtiveram perda de peso, aumento do consumo de água e ração, além de apresentarem alterações morfológicas de injúria hepática, sendo o tratamento com ExSt capaz de atenuar a necrose e inflamação. Ainda, o ExSt foi capaz de reduzir os níveis de ALT no grupo DMTER, mas não os níveis glicêmicos. Modulou a atividade de SOD, reduziu EROs e aumentou a expressão hepática de SOD-1, PI3Kp110b e AKT-1. Na avaliação in vitro utilizando células HepG2 em microambiente hiperglicêmico o ExSt (100 ug/mL) não mostrou citotoxicidade e foi capaz de modular o estresse oxidativo. Este trabalho mostra que apesar do ExSt não manter a normoglicemia do DM experimental, foi capaz de melhorar alguns parâmetros morfológicos e moleculares de dano hepático, entretanto novos estudos são necessários para entender melhor o mecanismo de ação protetor do ExSt no DM. Ademais, este estudo auxiliou na compreensão da patogênese do DM, além de incentivar a busca de novas formas de tratamento, valorizando os produtos naturais advindos da flora brasileira.