Banca de QUALIFICAÇÃO: FRANCISCA AMANDA BEZERRA FELIX

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : FRANCISCA AMANDA BEZERRA FELIX
DATA : 17/10/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO:

O doce lundu chorado de Domingos Caldas Barbosa: percursos historiográficos e históricos do gênero musical e da performance no canto popular urbano da modinha e do lundu-canção setecentistas


PALAVRAS-CHAVES:

Modinha; lundu-canção; Domingos Caldas Barbosa; gênero musical; canto popular urbano


PÁGINAS: 212
RESUMO:

A presente pesquisa investiga as relações entre a modinha e o lundu-canção no contexto de circulação colonial entre Brasil, Portugal e territórios africanos no século XVIII de modo a compreender sua relação com distintas possibilidades de performance de canto, no caso específico, ligado à estética popular urbana. A produção poético-musical associada ao padre, poeta e tocador de viola carioca Domingos Caldas Barbosa é tomada como eixo para este estudo. Parte-se da compreensão de que as diferentes classificações atribuídas a esses grupos cancionais pela historiografia não constituem apenas uma questão de nomenclatura, mas estão relacionadas aos diferentes contextos sociais, práticas musicais e sujeitos envolvidos em sua produção e performance. Nesse sentido, a pesquisa revisa a historiografia da modinha e do lundu-canção de modo a elencar as diferentes interpretações acerca de suas origens, classificações e relações com as tradições erudita e popular. Em seguida, investiga as condições históricas e culturais que favoreceram a formação desses repertórios no espaço atlântico entre os séculos XV e XVIII, com atenção à circulação de portugueses, brasileiros e povos advindos da África e das expressões culturais elaboradas e reelaboradas por estes. Para analisar a relação entre modinha e lundu-canção exposta na historiografia estudada, a pesquisa aplica a teoria dos gêneros musicais de Franco Fabbri (2018) ao conjunto de trinta modinhas setecentistas da coletânea Modinhas do Brasil, de Béhague (1968), confrontando características musicais, textuais, semióticas, comportamentais, sociais, ideológicas, econômicas e jurídicas com relatos produzidos entre 1770 e 1800 e com estudos sobre o tema. A investigação demonstra que as fronteiras estabelecidas pela historiografia e pela musicologia entre modinha e lundu-canção não são suficientes para explicar a distinção entre os repertórios dentro do contexto associado ao modinheiro carioca e propõe a compreensão do lundu-canção como um subgênero da modinha, denominado modinha-lundu. Na dimensão da performance, utiliza-se o paradigma indiciário de Ginzburg para identificar vestígios das práticas de canto das modinhas setecentistas e os relaciona a tratados de canto lírico e a estudos sobre canto popular urbano. A partir desses vestígios, a pesquisa propõe possibilidades interpretativas para uma performance vocal historicamente informada, orientada pela estética do canto popular urbano setecentista, sem pretender reconstruir integralmente uma prática vocal do passado. Conclui que a compreensão da modinha e do lundu-canção setecentista, associados à gênese de ambos os repertórios, requer a articulação entre distintas origens, classes sociais e tradições culturais de modo a reconhecer a pluralidade de sujeitos, espaços e convenções musicais que participaram de sua constituição.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - REGINA MACHADO
Presidente - 1762184 - RICARDO ALEXANDRE DE FREITAS LIMA
Externo à Instituição - VINÍCIUS EUFRÁSIO DE OLIVEIRA
Notícia cadastrada em: 07/10/2026 14:07
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