APRENDIZAGEM DO TROMPETE NA INFÂNCIA: quatro estudos de caso sobre experiências e perspectivas de crianças no estudo do instrumento
Protagonismo infantil; Aprendizagem musical; Trompete; Sociologia da infância; Educação musical.
A presente dissertação tem como foco a aprendizagem do trompete na infância, com ênfase no protagonismo das crianças em seus processos formativos. O estudo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa qualitativa estruturada como estudo de casos múltiplos, envolvendo quatro crianças em sua iniciação musical com o trompete. O objetivo central consistiu em compreender de que forma esses sujeitos exercem autonomia em suas escolhas, experiências e práticas musicais, considerando os contextos socioculturais e familiares nos quais estão inseridos. A investigação fundamenta-se na sociologia da infância e na pedagogia musical, compreendendo as crianças como atores sociais ativos, produtores de sentidos e capazes de influenciar significativamente seus percursos educativos. Foram aplicados questionários junto às mães e realizadas entrevistas semiestruturadas com as crianças, valorizando a escuta ativa e o respeito às suas vozes. Essa metodologia possibilitou revelar trajetórias singulares, nas quais emergem diferentes formas de relação com o trompete, desde o momento da escolha do instrumento até a vivência do aprendizado. Os resultados demonstram que, embora haja influências familiares e institucionais, as crianças exerceram protagonismo efetivo em suas decisões e na maneira de se engajar com a prática instrumental. Identificaram-se elementos de motivação intrínseca, curiosidade e desejo de expressão, bem como desafios técnicos relacionados à idade de iniciação, como embocadura, respiração e coordenação motora. Tais aspectos, longe de limitarem a aprendizagem, revelaram-se constitutivos de um processo que integra dimensões afetivas, cognitivas e sociais. A pesquisa evidencia a relevância de práticas pedagógicas que considerem a autonomia infantil, respeitem seus ritmos e ampliem os espaços de escuta e participação no ensino do trompete. Conclui-se que reconhecer o protagonismo das crianças na aprendizagem musical contribui não apenas para a formação de instrumentistas, mas também para o fortalecimento de sujeitos criativos e críticos, capazes de dialogar com a música como linguagem de expressão e identidade.