ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE MOVIMENTO DE ADOLESCENTES BRASILEIROS E SUA ASSOCIAÇÃO COM INIQUIDADES EM SAÚDE, VULNERABILIDADES E VIOLÊNICA
Comportamentos de movimento; Interseccionalidade; Violência intrafamiliar; Adolescência; Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar.
Introdução: A adolescência é fase crítica para a consolidação de comportamentos de movimento que impactam saúde e estilo de vida ao longo da vida. Comportamento sedentário e inatividade física são constructos distintos, e sua sobreposição configura padrões de comportamentos de movimento que variam conforme determinantes sociais. Objetivo: Investigar os padrões de comportamentos de movimento e em adolescentes brasileiros, bem como suas associações com hábitos de vida, estado de saúde e os marcadores sociais da diferença. Métodos: 1) estudo transversal com dados da Pense 2019 que analisou a associação entre os perfis de comportamentos de movimento (atividade física ou inatividade física + alto ou baixo tempo de televisão ou telas) e variáveis de estilo de vida, consumo alimentar e estado de saúde; 2) Estudo transversal e tendência temporal com dados das PENSE 2012, 2015 e 2019 que analisou a associação entre a interseccionalidade de raça, sexo e escolaridade materna com o tempo em comportamento sedentário (pelo uso de telas ou televisão) e inatividade física, de adolescentes expostos á violência; 3) Estudo bibliométrico das publicações sobre comportamento de movimento de adolescentes e iniquidades sociais e de saúde. Resultados: No estudo com base nos dados da PeNSE 2019, foram construídos perfis combinando atividade física acumulada e diferentes formas de comportamento sedentário (tempo de TV e tempo de tela). Adolescentes fisicamente inativos com baixo tempo de tela apresentaram menor prevalência de consumo de alimentos considerados saudáveis (RPa=0,97) e não saudáveis (RPa=0,96), menor prevalência de compra na cantina (RPa=0,94), menor uso de álcool (RPa=0,94) e tabagismo (RPa=0,92), mas maior prevalência de refeições diante da tela (RPa=1,11). Os adolescentes ativos com baixo tempo de tela apresentam menor prevalência de consumo de alimento na cantina (RP=0,96), mas também maior prevalência de refeição em frente a tela (RPa=1,09) sugerindo que mesmo com menor exposição a telas outras dimensões do comportamento alimentar permanecem impactadas. No estudo com base dos dados da Pense 2012,2015 e 2019 observou-se que os padrões de inatividade física combinados com alto tempo de televisão diminuíram entre 2012 e 2019, enquanto a IAF+ alto tempo de telas teve queda e posterior elevação, evidenciando transições nos comportamentos sedentários. As interseccionalidades de gênero, raça e escolaridade materna definiram perfis diferenciados: meninas negras com baixa escolaridade materna apresentaram padrões distintos de comportamento sedentário e inatividade física, refletindo pressões estruturais e desigualdades no acesso a diferentes dispositivos eletrônicos. As diferenças entre tipos de tela e entre grupos interseccionais sugerem que a experiência do sedentarismo é moldada por sobreposições de vulnerabilidades e contextos sociais. O estudo de análise bibliométrica encontrou no PubMed para o tema de comportamento de movimento em adolescentes e iniquidades sociais e de saúde 250 artigos para análise os dados apontam a língua inglesa como majoritária (97,4%), o Canadá o país com maior impacto e citações das publicações e tem as principais instituições que pesquisam o tema e o Brasil se mostra emergente com pesquisas no tema, se destacando na América do Sul. Conclusão: Os achados combinados indicam que, entre adolescentes brasileiros, tanto o comportamento sedentário quanto a inatividade física se relacionam de maneira complexa com hábitos alimentares, percepção de saúde e desigualdades sociais. Reduzir o tempo de tela aparece como importante, mas não suficiente para eliminar impactos adversos no consumo alimentar. As interseccionalidades revelam que políticas e intervenções devem considerar a matriz de desigualdades e as transições nas formas de exposição a telas, para que ações de promoção da saúde sejam mais equitativas e eficazes.