INTERVENÇÕES DE TERAPIA ALIMENTAR NO COMPORTAMENTO ALIMENTAR EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Comportamento Alimentar. Transtorno do Espectro Autista. Ingestão de alimentos. Revisão Sistemática
O Transtorno do Espectro Autista caracteriza-se, entre outros aspectos, por alterações no comportamento alimentar, como seletividade, recusa de novos alimentos e manifestações atípicas durante as refeições, que podem comprometer o estado nutricional de crianças e adolescentes. Intervenções de terapia alimentar têm sido propostas como estratégias para o manejo da seletividade alimentar e de comportamentos alimentares atípicos em crianças e adolescentes com autismo. Este estudo teve como objetivo avaliar as evidências sobre os tipos e padrões de mudanças no comportamento alimentar em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista após intervenções de terapia alimentar. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura, registrada na plataforma PROSPERO (CRD420251132198), com buscas nas bases PubMed/MEDLINE, CENTRAL, Scopus, EMBASE, Web of Science, ScienceDirect, LILACS, ERIC, PsycINFO e ProQuest. Foram incluídos estudos experimentais de caso único, ensaios clínicos randomizados e quase-experimentais envolvendo crianças e adolescentes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista submetidos a intervenções de terapia alimentar. O risco de viés foi avaliado por meio das ferramentas Risk of Bias in N-of-1 Trials, Risk of Bias 2 e Risk of Bias in Nonrandomized Studies of Interventions, enquanto a certeza da evidência foi analisada pelo GRADE. Dos 605 estudos identificados, 23 foram incluídos. As intervenções de terapia alimentar foram associadas à ampliação do repertório alimentar, ao aumento do consumo alimentar e à redução de comportamentos alimentares atípicos, com manutenção dos ganhos em parte dos estudos de follow-up. Resultados favoráveis foram observados em diferentes delineamentos, incluindo estudos de caso único e estudos de grupo. A convergência dos achados entre diferentes delineamentos sugere que as intervenções de terapia alimentar podem representar uma estratégia promissora para o manejo da seletividade alimentar associadas ao Transtorno do Espectro Autista, especialmente por contemplarem aspectos relacionados aos comportamentos desses indivíduos na interação com os alimentos. Entretanto, a concentração das evidências em crianças e a limitada representação de adolescentes indicam a necessidade de ampliar a investigação em diferentes fases do desenvolvimento. Limitações metodológicas, riscos de viés e certeza muito baixa das evidências foram frequentes, especialmente nos estudos de grupo. Conclui-se que as intervenções de terapia alimentar apresentam potencial para ampliar o consumo alimentar e reduzir comportamentos alimentares atípicos em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista; entretanto, são necessários estudos metodologicamente mais robustos, com maior rigor no delineamento e acompanhamento dos participantes, para aumentar a confiabilidade dos achados e fortalecer sua aplicabilidade clínica.