TENDÊNCIA TEMPORAL DA INCIDÊNCIA E MORTALIDADE POR TUBERCULOSE NO BRASIL (2007–2024) NO CONTEXTO DA PANDEMIA
Tuberculose; Epidemiologia; COVID-19
A Tuberculose (TB) permanece como um importante problema de saúde pública global, com elevada morbimortalidade, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Apesar dos avanços no controle da doença nas últimas décadas, a pandemia de COVID-19 provocou descontinuidades nos serviços de saúde, podendo ter influenciado o diagnóstico, tratamento e vigilância epidemiológica da TB. Este estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal da incidência e da mortalidade por tuberculose no Brasil, no período de 2007 a 2024, com ênfase no contexto da pandemia de COVID-19 e nas desigualdades sociodemográficas. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, com abordagem quantitativa, realizado a partir de dados secundários provenientes dos sistemas de informação em saúde (SINAN e SIM). Foram incluídos os casos notificados de tuberculose no Brasil entre 2007 e 2024 e óbitos entre 2007 e 2023. As taxas foram calculadas por 100.000 habitantes e estratificadas por sexo, faixa etária, raça/cor e regiões geográficas. A tendência temporal foi analisada por regressão de Prais-Winsten, com estimativa da variação percentual anual (VPA) e respectivos intervalos de confiança de 95%. Foram registrados 1.646.366 casos de tuberculose e 81.469 óbitos no Brasil. Observou-se tendência crescente significativa na incidência da doença (VPA: 1,43%), com aumento mais acentuado entre homens, adultos e idosos, além de indivíduos pretos e pardos, com maior incremento na região Norte. A mortalidade apresentou tendência geral estável, porém com aumento em grupos específicos, como idosos, pessoas pardas e indígenas, além das regiões Norte e Sudeste. Esses achados evidenciam a persistência de desigualdades sociais na distribuição da doença, além de uma dissociação entre o aumento da incidência e a estabilidade da mortalidade. Conclui-se que a tuberculose permanece fortemente associada a desigualdades estruturais no Brasil, com padrões distintos entre grupos populacionais e regiões. As tendências observadas, especialmente no período pós-pandemia, sugerem possíveis impactos indiretos da COVID-19 sobre o controle da doença, reforçando a necessidade de estratégias direcionadas às populações mais vulneráveis e ao fortalecimento da vigilância epidemiológica.