Espécies de plantas não nativas em inselbergs das florestas tropicais brasileiras: checklist e contribuições para o manejo e a conservação da biodiversidade
Mata Atlântica, Caatinga, distúrbio, espécies exóticas, granitos, inventário, afloramentos rochosos, plantas daninhas
A invasão de espécies não nativas em habitats espacialmente restritos, com comunidades vegetais únicas, representa um grande desafio para a conservação da biodiversidade. Os inselbergs, afloramentos graníticos e/ou gnáissicos com condições abióticas distintas, abrigam espécies vegetais altamente especializadas, mas estão cada vez mais ameaçados pela colonização de plantas exóticas. Este estudo teve como objetivos: (1) compilar o primeiro checklist abrangente de espécies de plantas não nativas em inselbergs de dois domínios fitogeográficos brasileiros: Mata Atlântica (MA) e Caatinga (CA), com foco na identificação de espécies invasoras; (2) analisar associações específicas de domínio entre espécies não nativas; (3) avaliar se formas de vida específicas de espécies não nativas estão associadas a um determinado domínio; e (4) propor direções futuras de pesquisa e estratégias de manejo.
Foram documentadas 99 espécies não nativas em inselbergs da MA (71 spp.) e da CA (54 spp.), utilizando dados de bases públicas online e da literatura científica publicada, das quais 33 (33,3%) foram classificadas como invasoras. Terófitas apresentaram associação significativa com inselbergs da CA, enquanto caméfitas estiveram associadas aos inselbergs da MA, reforçando que determinadas formas de vida entre espécies não nativas exibem afinidades específicas com cada domínio, provavelmente refletindo adaptações a condições ambientais contrastantes.
Os resultados deste estudo revelam que espécies não nativas estão amplamente distribuídas em inselbergs de ambos os domínios analisados, sendo muitas delas invasoras, o que ressalta a necessidade urgente de intervenções precoces. Estudos futuros devem concentrar-se na relação entre traços funcionais e padrões de invasão em inselbergs, bem como na integração de informações biogeográficas e filogenéticas, o que será crucial para antecipar e mitigar a disseminação de espécies invasoras nesses ambientes vulneráveis.