Micobioma do solo sob diferentes usos da terra na Amazônia meridional: uma abordagem metataxonômica
agricultura, diversidade de fungos, Glomeromycota, ITS2/D2-LSU, sequenciamento de nova geração (NGS).
Os fungos constituem um grupo taxonômico diversificado e amplamente distribuído, desempenhando funções essenciais nos ecossistemas. Compreender a estrutura das comunidades fúngicas em diferentes sistemas de uso da terra é fundamental para compreender seu papel nas dinâmicas ambientais e suas contribuições para setores como o agrícola. Embora a Amazônia seja rica em espécies vegetais que favorecem a diversidade de fungos do solo, é o bioma brasileiro menos estudado quanto à diversidade fúngica. Nesse estudo, amostras de solo foram coletadas em uma área de floresta nativa no Parque Estadual Cristalino, Mato Grosso, e em uma área adjacente recém-convertida em sistema agrícola, visando verificar as comunidades e guildas ecológicas de fungos por meio de sequenciamento NGS, e adotamos, paralelamente, um foco estratégico na identificação de Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA). A região ITS2 foi usada para caracterizar as comunidades fúngicas gerais, enquanto a região D2-LSU foi utilizada para caracterização das assembleias de FMA, combinada com análise morfológica dos esporos. Foram identificadas 4.191 OTUs pertencentes a oito filos e 130 gêneros, com predomínio de Ascomycota e Fusarium, além de 64 OTUs de FMA a partir das bibliotecas LSU, incluindo táxons potencialmente novos, e 41 morfoespécies. Embora a diversidade alfa das comunidades fúngicas gerais não tenha diferido entre áreas, a diversidade beta foi marcadamente diferente, influenciada principalmente pelo pH, refletindo também reorganização funcional entre solos agrícolas e florestais. Para os FMA, tanto a diversidade alfa quanto a beta variaram entre os sistemas, com maior riqueza em solos agrícolas associada principalmente ao aumento do pH. Esses resultados evidenciam que os solos amazônicos abrigam elevada riqueza fúngica, incluindo potenciais novas espécies, e que mudanças no uso da terra promovem reestruturação taxonômica e funcional das comunidades do solo.