Filogenômica e taxonomia de Symphypleona (Arthropoda: Hexapoda: Collembola): A reconstrução da história evolutiva por meio de metodologias modernas é compatível com a sistemática tradicional?
Colêmbolos, Eusymphypleona, fauna edáfica,filogenética, genômica.
Colêmbolos são microartrópodes terrestres, considerados úteis bioindicadores da sanidade edáfica e detendo importância no processo de respiração do solo. A classe Collembola (Arthropoda, Hexapoda) é composta por quatro ordens (Entomobryomorpha, Poduromorpha, Symphypleona e Neelipleona) que atualmente são aceitas como independentes. Entretanto, apesar dos diversos estudos publicados nas últimas décadas sobre a evolução e sistemática dos Collembola, as relações filogenéticas entre as ordens e parte das famílias e subfamílias seguem majoritariamente incertas, havendo poucos consensos.Symphypleona, uma das quatro ordens, sofreu diversas mudanças sistemáticas ao longo do tempo. Entretanto, apesar de algumas hipóteses mais aceitas, as relações dos seus grupos internos ainda são majoritariamente incertas. Devido a esta lacuna no conhecimento, este trabalho tem como objetivos reconstruir a história evolutiva dos Symphypleona com base em dados moleculares, investigando as relações internas da ordem, assim como rastrear os caracteres morfológicos atualmente utilizados para identificar e separar táxons e descrever potenciais novas espécies. Para isto, realizamos coletas, morfotipamos e identificamos o material encontrado na Coleção de Collembola da UFRN, assim como materiais de pesquisadores parceiros. Parte do material identificado como potenciais novas espécies foi separado e tratado para descrição taxonômica seguindo bibliografia específica. Outra parte do material foi levada para a Universidade Agrícola de Nanjing e para o Museu de História Natural de Shanghai, onde foram realizados os procedimentos de pré-sequenciamento, como extração, purificação e amplificação do DNA. Após o sequenciamento, os genomas foram montados e foram extraídos os Genes Nucleares Ortólogos Universais de Cópia Única (USCOs) e Elementos Ultra Conservados (UCEs). Também foram montados e anotados os mitogenomas e os 13 genes codificantes proteicos foram usados para produção da filogenia mitocondrial. Foram realizadas inferência filogenética bayesiana e de máxima verossimilhança para os USCOs, UCEs e 13 genes mitocondriais, a árvore de consenso foi usada como entrada para a estimativa do relógio molecular. Também foi realizado o mapeamento de caracteres morfológicos relevantes à taxonomia tradicional, incluindo a avaliação de seu potencial estado ancestral. Com a execução deste projeto foi realizada a descrição de novos táxons, sendo eles: uma nova subfamília de Dicyrtomidae, dois gêneros novos (um para Dicyrtomidae e um para Sminthurididae) e cinco novas espécies para as famílias Collophoridae, Dicyrtomidae e Sminthurididae; a obtenção de uma filogenia baseada em diferentes marcadores moleculares com representatividade de todas as nove famílias de Symphypleona, validando parcialmente a sistemática tradicional do grupo, com a árvore principal validando as duas subordens (Sminthuridida e Appendiciphora), e as superfamílias Sminthuroidea, Dicyrtomoidea e Sturmiioidea, formando uma nova combinação para Katiannoidea e uma nova superfamília. A estimativa do relógio molecular sugere que Symphypleona surgiu no Carbonífero e teve sua maior radiação no Cretáceo. Concluímos que a sistemática tradicional dos Symphypleona é parcialmente compatível com filogenias moleculares; assim como, com a descrição de novos taxa, que a riqueza dos Symphypleona ainda tem muito potencial a ser explorado no Brasil e na Região Neotropical como um todo.