AS TRAJETÓRIAS DE EGRESSOS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E
TECNOLÓGICA DO IFRN NO MUNDO DO TRABALHO: ENTRE FUGAS E PERMANÊNCIAS
Educação Profissional; Análise de Políticas; Migrações; Desenvolvimento Regional; Rio Grande do Norte.
No cenário brasileiro, a oferta de formação profissional concentrou-se historicamente no eixo Sul-Sudeste; no entanto, a partir de 2008, com a criação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT), esse panorama passou por modificações impulsionadas por políticas de descentralização e interiorização. Parte-se da hipótese de que a forte interiorização e expansão do ensino atua de forma resiliente frente às desigualdades locais e regionais quando o aumento no contingente de profissionais qualificados resulta em duas saídas: a absorção por atividades alheias à área de formação ou a migração para outros municípios e países em busca de oportunidades. Posto isto, esta tese objetiva analisar as migrações realizadas por egressos da educação profissional técnica de nível médio em sua forma integrada e subsequente dos campi do IFRN que têm como destino as centralidades urbanas de maiores níveis hierárquicos em busca da sua inserção no mercado de trabalho local, regional e no mundo do trabalho como molda os objetivos, finalidades e metas da política pública de criação da RFEPCT em consonância com sua expansão e interiorização no Rio Grande do Norte. Para tanto, aplicam-se as teorias do Capital Humano, da Fuga de Cérebros e Redes, utilizando-se procedimentos como revisão sistemática e análise documental (leis, decretos, projetos, programas). A coleta de dados baseou-se no método Respondent-Driven Sampling (RDS) e em um survey com questionários estruturados. A amostragem aleatória estratificada previu 234 egressos, obtendo-se a participação efetiva 145 indivíduos. Ainda, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com representantes da Assessoria de Relações com o Mundo do Trabalho (ASREMT) do IFRN e análise de dados secundários (PAE, IPEA, RAIS, IBGE e INEP), com foco nos eixos de educação, cursos, egressos, trabalho, economia e renda. Os resultados indicam que, embora a expansão do IFRN no território potiguar tenha gerado avanços educacionais significativos, os demais setores econômicos não acompanharam esse ritmo de geração de empregos. A falta de articulação para a absorção desses profissionais potencializou o fluxo migratório para além de seus territórios de origem. Do total de 234 egressos analisados, 142 (60,68%) residem em localidades distintas de sua origem; destes, 98 afirmam ter migrado definitivamente, tendo como destino a polos regionais como Mossoró, Natal e Pau dos Ferros, além de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Paraíba, ou capitais como Recife. Ainda, países na Europa, Ásia e Américas. Esse fenômeno acaba por reforçar assimetrias regionais e internacionais, evidenciando as contradições da operacionalidade territorial.