CORPO-TERRITÓRIO DAS MULHERES QUILOMBOLAS DE MACAMBIRA (RN): PERCEPÇÕES, CONFLITOS E RESISTÊNCIAS NO CONTEXTO DA ENERGIA EÓLICA
Feminismo; Energias renováveis; Quilombo; Comunidade Macambira; Neoextrativismo.
Esta pesquisa investiga os impactos dos empreendimentos eólicos sobre o corpo-território das mulheres quilombolas da comunidade Macambira, no Rio Grande do Norte, desconstruindo a narrativa hegemônica que apresenta as energias renováveis como intrinsecamente sustentáveis. O estudo tem como objetivo geral analisar, a partir da perspectiva das mulheres quilombolas de Macambira, os impactos da instalação e operação dos complexos eólicos sobre seus corpos-territórios, assim como os papéis de gênero na comunidade e suas resistências. Enquanto os objetivos específicos versam sobre: i) construir um histórico da inserção das eólicas do ponto de vista das mulheres quilombolas de Macambira, analisando as mudanças na dinâmica territorial e social; ii) identificar os impactos gerados pelos empreendimentos eólicos no corpo-território das mulheres de Macambira; iii) compreender as estratégias de resistência e adaptação adotadas pelas mulheres da comunidade diante das transformações impostas. Esses esforços se articulam com discussões mais amplas sobre neoextrativismo, conflitos ambientais, resistência negra quilombola e feminismos decoloniais. A pesquisa tem como metodologia a abordagem qualitativa, contando com trabalho de campo combinado a rodas de conversa com quatro coletivos de mulheres da comunidade: Flores de Macambira, Mulheres de Maria, Flores do Campo e Mulheres Renovadas. Junto a isso, a pesquisa conta com entrevistas semiestruturadas e a construção colaborativa de um mapa corpo-território das mulheres de Macambira. A pesquisa observou o processo de organização das mulheres e as sutis, porém presentes, diferenças entre as localidades dentro da comunidade. As mulheres de Macambira se apresentaram como protagonistas de sua própria história, sendo essenciais para as resistências do cotidiano. Durante as oficinas de construção do Mapa Corpo-território, produto desse trabalho, foi possível observar a relação e as consequências dos conflitos socioambientais em seus corpos, assim como o modo como as atividades de gênero e suas resistências refletem neles. Nessa construção, cada parte do corpo expressou um entendimento sobre o processo vivido por essas mulheres, a cabeça e a mente sendo afetadas pela ansiedade, insônia, poeira e cuidado; as mãos carregando as tarefas domésticas, o trabalho, a pouca colheita, entre outras partes do corpo que revelam uma série de consequências, lutas e resistências.