Atividades multissensoriais e soneca escolar para quebrar o espelhamento de letras na alfabetização: adaptação de um protocolo para a sala de aula
alfabetização; invariância em espelho; sono; soneca;
A alfabetização plena e na idade certa ainda é um desafio para o Brasil, onde apenas 53% dos alunos do 2º ano estavam alfabetizados. Evidências experimentais indicam que interven ções multissensoriais e processos de aprendizagem dependentes do sono podem favorecer a aprendizagem inicial da leitura, mas sua transposição para contextos escolares reais ainda é pouco compreendida. Esta dissertação investiga a adaptação e aplicação em sala de aula de um protocolo originalmente desenvolvido para intervenção individual, avaliando seus efeitos em condições ecológicas. O estudo foi conduzido com turmas do 1º ano do Ensino Fundamental de seis escolas públicas estaduais de tempo integral do Rio Grande do Norte, distribuídas em grupos intervenção e controle. O grupo intervenção realizou atividades multissensoriais pela manhã, seguidas de soneca após o almoço durante três semanas, enquanto o grupo controle manteve a rotina escolar regular. As habilidades de leitura e escrita foram avaliadas em três momentos — pré-intervenção, pós-teste imediato e pós-teste ao final do ano letivo. Os resultados não reproduziram os achados do protocolo original, contudo, as lições aprendidas durante a realização da adaptação são evidências valiosas à Ciência da Implementação. Essas evidências destacam a necessidade de considerar fatores contextuais, logísticos e pedagógicos no desenho de intervenções baseadas em evidências. Estudos futuros devem investigar ajustes no formato, duração e integração curricular do protocolo, bem como estratégias de implementação em larga escala que preservem seus mecanismos de ação em contextos escolares diversos.