Investigação da influência da experiência subjetiva com o jogo eletrônico no sono, sonhos, pesadelos e incubação onírica subsequentes
incubação onírica; sono; pesadelo; jogos eletrônicos; Teoria de Simulação de Ameaças.
Este estudo investiga como aspectos da experiência subjetiva com jogos eletrônicos — imersão, mobilização emocional (ameaça e recompensa) e novidade — influenciam a atividade onírica (incubação, recordação de sonhos e pesadelos) e a qualidade do sono na noite subsequente. A Teoria de Simulação de Ameaças (TSA) propõe que o sonho funcionaria como um mecanismo adaptativo onde eventos ameaçadores são simulados durante o sono, o que contribuiria para a otimização do comportamento durante a vigília. Os jogos eletrônicos emergem como ferramentas interessantes para o estudo da TSA em humanos ao simular situações sem oferecer riscos reais, sendo frequentemente reconhecidos na literatura pelo seu potencial de promover sonhos associados. Foi conduzido um experimento online (N=158) dividido em quatro etapas. Os participantes preencheram questionários antes de ter contato com um jogo eletrônico de sua escolha, em seguida jogaram um título pela primeira vez e responderam sobre suas experiências através do questionário de Avaliação da Primeira Sessão de Jogo (APSJ) e de um questionário Pós-Sono após o período de sono subsequente. Observou-se que a recordação de sonhos foi predita positivamente pela sensação de alívio e pela desorientação (sentir-se perdido/confuso), mas negativamente pela alegria sentida durante o jogo. A incubação onírica (sonhar com o jogo) correlacionou-se fortemente com a imersão, dificuldade, e clusters ligados à paisagem de medo virtual (sensação de presa, suspense, medo, tristeza, sustos e achar o jogo assustador) e incubação ecológica (ameaça/agressividade), mas não se correlacionou com a novidade ou recompensa. A ocorrência de pesadelos e a qualidade do sono não se correlacionaram com variáveis relacionadas ao jogo. Nossos achados indicam que a experiência com o jogo eletrônico afeta significativamente o conteúdo e a recordação dos sonhos, mas não a qualidade do sono percebida nem a ocorrência de pesadelos.