Banca de QUALIFICAÇÃO: RAIANE VITAL DA PAZ

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAIANE VITAL DA PAZ
DATA : 30/04/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Híbrida - https://meet.google.com/eic-sesj-vfz
TÍTULO:

Paisagem sonora: abordagens bioacústicas em comunidades de aves ao longo de um
gradiente urbano-florestal

 


PALAVRAS-CHAVES:

Adaptação acústica; índices acústicos; nicho acústico; poluição sonora; urbanização.


PÁGINAS: 94
RESUMO:

A comunicação acústica é vital para diversos organismos, sendo fundamental na troca de informações. Entretanto, o aumento da poluição sonora tem prejudicado essa comunicação, reduzindo o alcance e a eficácia da transmissão de sinais acústicos. Desta forma, é essencial investigar o impacto da urbanização na ecologia acústica das aves da Mata Atlântica ao longo de gradientes urbano-florestais. Este estudo é dividido em três capítulos: i) avaliar a relação entre seis índices acústicos e o nível de urbanização ao longo de um gradiente urbano-florestal no nordeste do Brasil; ii) investigar como as aves noturnas utilizam e estruturam o espaço acústico para compreender os mecanismos que organizam suas interações e possibilitam sua coexistência com base na hipótese do nicho acústico (ANH), e iii) investigar se a estrutura da vegetação influencia os padrões de vocalização de aves noturnas com base na hipótese de adaptação acústica (AAH). Coletamos os dados em três tipos de ambientes: florestal, intermediário e praças urbanas. Oito pontos, distantes pelo menos 500m, foram aleatorizados nos fragmentos florestais e intermediários. Registramos as espécies com gravadores autônomos, fixados a 1,50m de altura e ativos durante três dias consecutivos. Para entender como a paisagem afeta os parâmetros acústicos das aves, coletamos variáveis de micro-habitat em um raio de 5m ao redor do ponto de gravação, como abertura do dossel, densidade do sub-bosque, densidade de árvores, altura das árvores e circunferência dos troncos. Em áreas maiores, de 10, 100 e 1000 ha, coletamos dados de cobertura de solo exposto, cobertura florestal e cobertura urbana. As vocalizações foram marcadas por meio de espectrogramas no software Raven Pro 2.0; a partir dos registros, extraímos parâmetros temporais e espectrais (duração, frequências mínima e máxima, frequência de pico, número de notas e largura de banda) e quantificamos a atividade vocal ao longo do tempo. No primeiro capítulo, os índices acústicos não mostraram uma relação consistente com o nível de urbanização. O índice de riqueza acústica (AR) distinguiu fragmentos florestais e intermediários, mas não conseguiu separar de forma consistente as praças urbanas. A estrutura da vegetação influenciou as respostas dos índices, com a circunferência média do tronco associada positivamente ao ADI e negativamente ao ACI, enquanto o BIO e o NDSI apresentaram valores mais elevados em áreas mais urbanizadas, embora o NDSI não tenha mostrado uma diferença significativa ao longo do gradiente. Esses resultados indicam que os índices acústicos respondem à urbanização de maneiras complexas, provavelmente refletindo a influência combinada de sons biofônicos e antropogênicos. O segundo capítulo analisa a sobreposição de nicho acústico em espécies noturnas, comparando parâmetros temporais e espectrais das vocalizações entre fragmentos florestais. Os resultados demonstraram que a organização do espaço acústico em comunidades de aves noturnas é mediada por diferentes combinações de segregação temporal e espectral, variando entre pares de espécies, mas mantendo padrões consistentes em nível de comunidade. Enquanto algumas espécies apresentaram alta sobreposição multidimensional, outras coexistiram por meio de separação em frequência ou no tempo, evidenciando múltiplas estratégias de partição do nicho acústico. No terceiro capítulo, será investigado se a estrutura da paisagem influencia os padrões de vocalização das aves noturnas, considerando como diferentes características ambientais podem moldar a propagação e a estrutura dos sinais acústicos, com base na hipótese da adaptação acústica. Esperamos que as espécies tenham parâmetros espectrais diferentes em diferentes fragmentos, tendo em vista que cada um possui suas próprias características. Além disso, esperamos que as espécies tenham uma frequência mais baixa (mais grave) em ambientes altamente fechados para o som conseguir se propagar. Espera-se que as espécies apresentem variação nos parâmetros espectrais entre diferentes fragmentos, uma vez que cada ambiente possui características estruturais próprias. Além disso, espera-se que, em ambientes mais fechados, as espécies emitam vocalizações com frequências mais baixas, favorecendo a propagação do som. Dessa forma, este trabalho amplia o entendimento sobre como a estrutura da paisagem afeta a paisagem sonora e a comunicação das aves, além de fornecer insights sobre os mecanismos que permitem a coexistência vocal em comunidades com alta riqueza de espécies. Por fim, reforça a importância de abordagens integradas e em múltiplas escalas para a gestão de ecossistemas ameaçados.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - GABRIEL LIMA MEDINA ROSA
Interno - 1718346 - EDUARDO MARTINS VENTICINQUE
Presidente - 1439088 - MAURO PICHORIM
Notícia cadastrada em: 13/04/2026 10:49
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