OMBREAMENTO COMO UMA ESTRATÉGIA PARA MITIGAR O BRANQUEAMENTO EM CORAIS NO ATLÂNTICO SUDOESTE
Mudanças climáticas; branqueamento; estresse térmico; sombreamento, saúde dos corais.
O aumento das temperaturas globais e a intensificação das ondas de calor marinhas têm elevado a frequência e a severidade do branqueamento de corais. Observações em ambientes naturais sugerem que colônias situadas em microhabitats sombreados apresentam menor susceptibilidade a esse fenômeno, indicando um possível papel mitigador da redução da irradiância. Nesse contexto, este estudo investigou os efeitos do sombreamento sobre a saúde de corais do Atlântico Sudoeste, integrando observações de campo e experimentos controlados em laboratório. Os levantamentos de campo foram conduzidos em diferentes pontos do litoral nordestino, nos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Bahia, estando dentro de áreas protegidas a Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (APARC), a APA Costa dos Corais e o Parque Natural Municipal Marinho Recife de Fora, respectivamente — e avaliaram a relação entre nível de exposição à radiação solar e a coloração das colônias, utilizada como proxy do estado fisiológico. De modo consistente entre as áreas, colônias localizadas em ambientes sombreados, como fendas, galerias e tocas, apresentaram maiores classificações de cor, indicativas de melhor condição de saúde, quando comparadas às colônias expostas à radiação solar direta. Em laboratório, foi avaliado o efeito do sombreamento artificial durante a simulação de uma onda de calor sobre diferentes espécies de corais. Os experimentos demonstraram que o sombreamento reduziu significativamente a perda de cor associada ao estresse térmico, atuando como fator mitigador do branqueamento, especialmente para espécies mais sensíveis, como Millepora alcicornis, Mussismilia harttii e Mussismilia hispida. Montastraea cavernosa apresentou maior tolerância geral ao aquecimento, independentemente do tratamento de luz. Ainda que o período de recuperação tenha sido curto, colônias submetidas ao sombreamento apresentaram sinais de melhoria na manutenção da cor ao final do experimento. Os resultados indicam que o sombreamento, natural ou artificial, pode contribuir para a redução dos impactos do estresse térmico sobre corais, funcionando como um mecanismo complementar de conservação. Em um cenário de aquecimento contínuo dos oceanos, a identificação e a preservação de microhabitats sombreados, bem como o uso estratégico do sombreamento em contextos específicos, podem desempenhar um papel relevante na manutenção da integridade fisiológica de espécies sensíveis e na resiliência dos recifes do Atlântico Sudoeste.