Banca de QUALIFICAÇÃO: FABRICIO CLAUDINO DE ALBUQUERQUE

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : FABRICIO CLAUDINO DE ALBUQUERQUE
DATA : 16/06/2025
HORA: 09:00
LOCAL: SALA DE REUNIÕES DO DECOL/CB/UFRN e e via Google Meet (https://meet.google.com/hnm-zdud-afa)
TÍTULO:

BIODIVERSIDADE E SEGURANÇA ALIMENTAR: O PAPEL DOS PEIXES RECIFAIS E ESTUARINOS NAS COMUNIDADES COSTEIRAS DO NORDESTE DO BRASIL


PALAVRAS-CHAVES:

Mudanças globais; Defaunação; Sobrepesca; Pesca de pequena escala; Pesca artesanal; Nutrição.


PÁGINAS: 85
RESUMO:

A pesca nos ecossistemas tropicais costeiros é fundamental para a segurança alimentar e integridade das comunidades tradicionais, que dependem dos recursos pesqueiros para sua subsistência. O Atlântico Sudoeste abriga grande diversidade e alto endemismo de peixes, mas os ecossistemas marinhos desta região estão enfrentando ameaças crescentes, incluindo mudanças climáticas e superexploração. À medida que os estoques de peixes e a biodiversidade diminuem, as comunidades locais correm o risco de perder sua principal fonte de renda, proteína e nutrientes, como o ômega-3. Entender o papel dos recursos pesqueiros locais para a qualidade de vida das comunidades tradicionais é um elemento chave na conservação da biodiversidade marinha. Neste trabalho, avaliamos as contribuições de peixes marinhos para a alimentação e os possíveis impactos do declínio de espécies na oferta de nutrientes em comunidades tradicionais do Nordeste do Brasil. Para isso, utilizamos uma abordagem que combina entrevistas semiestruturadas com pescadores, a composição nutricional e atributos funcionais de peixes. No primeiro capítulo investigamos a potencial contribuição da diversidade de peixes capturados nos manguezais do Nordeste para a dieta das comunidades costeiras. Utilizamos e comparamos informações dos níveis de cinco nutrientes (cálcio, ferro, selênio, zinco e ômega-3) em 17 espécies de peixes capturados nos estuários da região, além de carne de gado, frango, porco e carne ultraprocessada. Observamos que os peixes apresentam uma ampla diversidade nutricional, com elevadas concentrações de nutrientes. Notavelmente, os peixes apresentam níveis mais altos de cálcio e ômega-3, e níveis similares de ferro, selênio e zinco quando comparados às outras proteínas de origem animal. No segundo capítulo, utilizamos dados nutricionais e ecomorfológicos das espécies de peixes capturados pela pesca na zona costeira dos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco para compreender como a perda de espécies pode afetar a provisão de nutrientes nas comunidades pesqueiras desta região. Usando as informações nutricionais das espécies calculamos o espaço nutricional ocupado pelos peixes. Em seguida fizemos simulações de extinção local com base no tamanho corporal, nível trófico, nível de vulnerabilidade, valor nutricional e remoções aleatórias das espécies para estimar o impacto sobre o espaço nutricional. Observamos que, os peixes marinhos são a principal fonte de proteína animal para os pescadores, fornecendo cerca de um terço de sua ingestão mensal de proteínas de origem animal. Os peixes marinhos também podem ser responsáveis por até dois terços da diversidade nutricional disponível para os pescadores, fornecendo principalmente cálcio, selênio e ômega-3. Além disso, nossas simulações sugerem que a perda de um quarto das espécies de peixes pode reduzir o espaço nutricional multidimensional em mais de 70%. No terceiro capítulo, avaliamos o papel dos peixes recifais para a segurança alimentar de comunidades pesqueiras em dois estados do Nordeste do Brasil: Rio Grande do Norte e Pernambuco. Por meio de entrevistas com pescadores, coletamos dados sobre a frequência atual de consumo de alimentos de origem animal e sobre o consumo de peixes nas últimas três décadas. Além disso, coletamos amostras de 17 espécies de peixes capturados nos recifes desses estados para quantificar o conteúdo de cálcio, ferro, selênio, zinco e ômega-3, e avaliar a contribuição do pescado para a ingestão diária recomendada desses nutrientes. Nossas hipóteses são que i) os peixes são a principal fonte de proteína animal para os pescadores, dado a facilidade de acesso dos pescadores a este recurso alimentar e ii) que o consumo atual de peixes será menor que a três décadas, em ambos os estados. Também esperamos que iii) os peixes ofereçam contribuições relevantes para ingestão diária de nutrientes, em especial para cálcio, ômega-3 e selênio, que são comumente abundantes nos peixes. Com este trabalho, esperamos gerar informações relevantes para embasar práticas sustentáveis e políticas ambientais que visem proteger a biodiversidade e garantir a subsistência das comunidades tradicionais na costa do Nordeste do Brasil.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2319234 - GUILHERME ORTIGARA LONGO
Externa ao Programa - 3859825 - MICHELLE CRISTINE MEDEIROS JACOB - nullExterna à Instituição - NATÁLIA CARVALHO ROOS - UFF
Notícia cadastrada em: 30/05/2025 14:57
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - (84) 3342 2210 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa12-producao.info.ufrn.br.sigaa12-producao