JUSTIÇA AMBIENTAL EM FOCO: COMO OS EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS AFETAM A POPULAÇÃO DA CAATINGA (2010 – 2022)
Caatinga; desastres climáticos; justiça ambiental; vulnerabilidade socioeconômica; dados em painel.
A presente pesquisa analisa como os eventos climáticos extremos como: seca, estiagem, alagamentos, inundações e enxurradas afetam indicadores de renda, trabalho, educação, saúde e segurança alimentar nos municípios do bioma Caatinga, comparando os anos de 2010 e 2022. O estudo utiliza dados secundários socioeconômicos dos Censos Demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do DATASUS, do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional e dos registros de desastres do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), classificados segundo a Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE), para uma amostra de 1.076 municípios do bioma. A metodologia aplicada no trabalho adota um modelo de dados em painel com efeitos fixos bidimensionais (municipais e temporais) estimado por primeiras diferenças, as variáveis dependentes estão organizadas em quatro blocos temáticos: renda e trabalho (pobreza e extrema pobreza, taxas de ocupação e desocupação), educação (abandono escolar), saúde (fecundidade, mortalidade infantil) e segurança alimentar (baixo peso para a idade em crianças de zero a dois anos) controlado por porte populacional, indicadores fiscais e infraestrutura hídrica municipal. A pesquisa parte do referencial teórico da justiça ambiental e climática, segundo o qual processos sociais e institucionais constroem a vulnerabilidade socioambiental e a distribuem de forma desigual entre territórios e grupos sociais e como a população da Caatinga é impactada por esse processo. Os resultados evidenciam assimetrias nos impactos climáticos com base no porte populacional e na capacidade orçamentária dos municípios, fornecendo evidências empíricas para subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à redução da vulnerabilidade socioambiental e à promoção do desenvolvimento humano sustentável na região.