Travestir o palco, descontruir a prática: travestis e transexuais performando saberes do teatro do oprimido como processo pedagógico.
Teatro do Oprimido; Comunidade Transexual/Travesti; Práticas de escrita; Educação de Jovens, Adultos e Idosos.
Esta pesquisa de Mestrado em Artes Cênicas objetiva investigar as potencialidades do Teatro do Oprimido nos processos educativos de pessoas transexuais e travestis, matriculadas numa turma de desenvolvimento da leitura e da escrita, da Rede de Alfabetização e Educação de Jovens, Adultos e Idosos (REAJAI/UFRN), em funcionamento no Centro Municipal de Cidadania LGBTQIAPN+ (CEMCID) de Natal/RN. Tendo a conversa como metodologia de pesquisa (Ribeiro; Souza e Sampaio, 2018), o estudo se pergunta: O que pode o Teatro do Oprimido nos processos (trans)mutáveis de um corpo transexual/travesti atravessado pela leitura e escrita? Experimentações com Teatro do Oprimido podem provocar processos educativos de leitura e escrita entrelaçados à vida de pessoas transexuais e travestis? Para tanto, foram realizados quatro encontros com a turma, onde propusemos a experimentação de práticas de Teatro Imagem, Teatro Fórum, Teatro Jornal, bem como vivências teatrais baseadas no Arco-Íris do Desejo, acompanhadas de rodas de conversa e exercícios de escrita. Dentre os efeitos educativos/artístico-educativos, destaca-se que a experimentação do Teatro do Oprimido no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita não se limita à produção de uma escrita literal (registrada com lápis, papel, caderno etc.). Ao contrário, suscita-se que tais práticas podem favorecer um processo de inscrever-se no mundo, isto é, de escrever e ler a si mesmo enquanto indivíduo que reivindica o direito de existir e narrar-se. Os corpos transexuais e travestis envolvidos nas atividades mostraram que a escrita pode vir também pela imagem, pelo gesto, pelo jogo cênico, pela escuta coletiva e pela criação. Nessa perspectiva, sentiu-se que as experimentações em Teatro do Oprimido vivenciadas com a turma possibilitaram processos de reinvenção de si para além do teatro e da escrita, abrindo frestas para uma educação entrelaçada à vida, como uma possibilidade de despertar performatividades outras e a invenção de modos outros de existir no mundo. A pesquisa assume que, quando articulado à conversa e às experiências concretas de vida, o Teatro do Oprimido pode atuar como um campo fértil de criação, aprendizagem e transformação.