“A Casa da Benzedeira, processo de criação cênica inspirado nas vivências com as Benzedeiras de Currais Novos, Seridó/RN”.
Benzedeiras, memórias, ancestralidade, criação cênica e educação.
Essa pesquisa de mestrado em artes, escrita em primeira pessoa, nasce de compartilhamentos de saberes entre artistas, pesquisadoras, e a comunidade de benzedeiras e benzedores do Rio Grande do Norte, com os quais convivo desde minha infância até os dias de hoje. Proponho, ao longo dessa escrita poética, diálogos com autorias como, Eduardo Oliveira e seus estudos sobre ancestralidade, corpo e poética, Fátima Freire Dowbor que inspira minhas ações como educador, Bianca Bazzo Rodrigues, por meio de seus estudos cênicos inspirados nas benzedeiras, Lara Rodrigues Machado, que propõe o “Jogo da Construção Poética” como proposta metodológica que embasa a cena dessa pesquisa, Roberta Barbosa que nos oferece em sua pesquisa de doutorado o corpo-território Seridoense como chão para as investigações artísticas, e Sebastião de Sales Silva que propõe estudos sobre memórias e atravessamentos da dança em pedagogias e criações do corpo que brinca. Dessa maneira, a dissertação de mestrado descreve vivências nas artes corporais, na arte de educar, nas artes cênicas, e no audiovisual, linguagens poéticas, políticas, e pedagógicas, da cena artística. “A casa da benzedeira”, fruto dessa pesquisa, é uma cena costurada pelas memórias e peles da personagem Dona Romã, que compartilha sabenças, conta histórias, e nos convida a estar entre conversas, rezas e ca’fé. Essa pesquisa é também, e “antes de tudo”, um convite a chegança e um pedido de licença para mergulharmos no cenário misterioso das benzeções.