O DEBATE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA PÓS-GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL NO NORDESTE: TENDÊNCIAS, CONTRADIÇÕES E DIREÇÃO SOCIAL A PARTIR DOS ANOS DE 1990
capitalismo contemporâneo; movimentos sociais; serviço social
O debate sobre a categoria movimentos sociais no processo de formação profissional nos Programas de Pós-Graduação stricto sensu na área do serviço social da região Nordeste, a partir dos anos 1990, marco temporal que coincide com a consolidação das Diretrizes Curriculares e com o aprofundamento da agenda neoliberal e da reestruturação produtiva no Brasil, condições materiais que incidem diretamente sobre a própria morfologia dos movimentos sociais e sobre as possibilidades de sua incorporação crítica pela academia. A pergunta que orienta a investigação é: como está configurado o debate sobre a categoria movimentos sociais no processo de formação profissional nos programas de pós-graduação stricto sensu na área do serviço social na região Nordeste?
O objetivo geral é analisar como está configurado esse debate nos PPGs do Nordeste, a partir dos anos 1990. Esse objetivo desdobra-se em quatro objetivos específicos: mapear os PPGs da região filiados à ABEPSS; identificar como a categoria movimentos sociais aparece nos documentos institucionais desses programas, projetos pedagógicos, ementas e matrizes curriculares; identificar as tendências predominantes nesse debate ao longo do período; e analisar as contradições presentes nesse debate e sua relação com a direção social do projeto ético-político da profissão.
A investigação parte de um pressuposto central: ainda que o debate sobre os movimentos sociais esteja presente nos documentos institucionais dos PPGs do Nordeste, sua configuração revela contradições entre a afirmação discursiva de sua centralidade para o projeto ético-político da profissão e sua efetiva incorporação como objeto de reflexão crítica na formação. Esse pressuposto desdobra-se em dois outros: que esse debate apresenta oscilações e descontinuidades entre os anos 1990 e a atualidade, acompanhando as transformações conjunturais do serviço social e do Brasil; e que as contradições identificadas expressam um distanciamento entre a tradição crítica fundante da profissão e tendências contemporâneas de despolitização e institucionalização acadêmica do tema.