AVALIAÇÃO IMUNOFENOTÍPICA POR CITOMETRIA DE FLUXO DA SÍNDROME OVARIANA METABÓLICA POLIENDÓCRINA: INVESTIGAÇÃO DE BIOMARCADORES IMUNO-INFLAMATÓRIOS EM PACIENTES ATENDIDAS NA MATERNIDADE ESCOLA JANUÁRIO CICCO, NATAL-RN
Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina; Citometria de Fluxo; Inflamação; Biomarcadores; Subconjuntos de linfócitos T.
A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) é a principal disfunção endócrino-ginecológica em mulheres em idade fértil, caracterizada por um estado inflamatório crônico de baixo grau associado à comorbidades metabólicas. Contudo, existem lacunas no entendimento de como marcadores de ativação imunológica periférica refletem esse estresse inflamatório de forma independente do índice de massa corporal. Este estudo justificou-se pela necessidade de identificar biomarcadores celulares para o monitoramento imuno-inflamatório da síndrome. Esta pesquisa clínica caso-controle avaliou o perfil imunofenotípico e índices inflamatórios celulares de 67 mulheres obesas e não obesas (39 casos e 28 controles, 20-40 anos) atendidas no ambulatório de Ginecologia e Endocrinologia da Maternidade Escola Januário Cicco/UFRN. Amostras de sangue periférico foram analisadas por citometria de fluxo para análise de linfócitos T e B, marcadores de ativação basal (CD38+, HLA-DR, perforina, granzima) e índices inflamatórios (NLR, SII, SIRI, AISI), utilizando os testes t de Student, Mann-Whitney e correlação de Spearman (p < 0,05). Os resultados evidenciaram que a imunidade adaptativa periférica e os marcadores de ativação basal mantiveram-se homogêneos entre os grupos. No entanto, o grupo SOMP apresentou redução significativa no percentual de células CD45+ (85,0% vs. 92,5%; p=0,016) e de células NK (4,0% vs. 8,0%; p=0,030), acompanhada por maior contagem absoluta de linfócitos (2,59 vs. 2,22 × 109/L; p=0,018). Os índices inflamatórios celulares foram superiores no grupo controle (NLR: 1,75 vs. 1,45, p=0,002; SII: 579 vs. 418, p=0,004). A análise de Spearman revelou interações exclusivas no grupo SOMP: o CD38+ correlacionou-se positivamente com os índices SII (ρ = 0,332), SIRI (ρ = 0,477) e AISI (ρ = 0,388), o avanço da idade associou-se à NLR (ρ = 0,345; p=0,032) e a pressão arterial sistólica correlacionou-se ao SII (ρ = 0,326; p=0,043). Sendo assim, pode-se concluir que a SOMP promove desregulação na imunidade inata periférica e nos índices inflamatórios de forma independente da obesidade. O modelo sugere que alterações metabólicas direcionam a resposta periférica, validando a imunofenotipagem como biomarcador clínico e abrindo caminhos para terapias adjuvantes baseadas no imunometabolismo da síndrome.