REFLEXÕES SOBRE A AUTOFORMAÇÃO: AO SOM DA ÓPERA DO MALANDRO
Autoformação. Educação estética. Pensamento complexo. Arte e educação. A Ópera do Malandro.
Esta dissertação investiga a autoformação como dimensão constitutiva da formação humana, tomando como eixo analítico a obra A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, em sua articulação entre linguagem artística, crítica social e produção de aprendizagens. O objetivo do estudo consiste em compreender de que modo a referida obra pode operar como dispositivo estético-formativo capaz de mobilizar processos de autoformação marcados pela complexidade, pela ambiguidade e pela experiência sensível, em contraposição a modelos pedagógicos pautados na linearidade e na neutralidade do saber. O referencial teórico fundamenta-se no pensamento complexo de Edgar Morin, especialmente nas noções de estratégia, incerteza e religação dos saberes, e na filosofia de Michel Serres, a partir das ideias de travessia e mestiçagem. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza interpretativa, adotando a escrita literária em forma de contos como estratégia epistemológica coerente com o objeto investigado. A figura do malandro, em diálogo com o arquétipo do arlequim, é mobilizada como operador cognitivo para refletir sobre processos de autoformação produzidos nas margens dos sistemas normativos. O percurso analítico construído ao longo da pesquisa permite afirmar a autoformação como processo não linear, atravessado por conflitos, deslocamentos e experiências sensíveis, reconhecendo a educação estética como dimensão legítima da produção de conhecimento no campo educacional.