RE(EXISTÊNCIA): A ESCOLA MUNICIPAL INDÍGENA JOÃO LINO DA SILVA NAS LUTAS DA COMUNIDADE INDÍGENA CATU DOS ELEOTÉRIOS
Educação Escolar Indígena; História Oral; História Pública; Memória; Catu dos Eleotérios.
Esta dissertação visa compreender de que maneira a Escola Municipal Indígena João Lino da Silva contribuiu para o fortalecimento e a ampliação das lutas e resistências do povo indígena potiguara da comunidade Catu dos Eleotérios, localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha, no estado do Rio Grande do Norte. Com recorte temporal concentrado entre as décadas de 1970 e 2015, o estudo analisa a trajetória histórica da instituição a partir das memórias e narrativas de professores, compreendendo a escola como um espaço educativo profundamente atravessado e enraizado em disputas políticas, étnicas e territoriais. Ancorada nos referenciais teórico-metodológicos da História Oral e da História Pública (Portelli, 2016; Frisch, 2016), a pesquisa mobiliza entrevistas públicas como elementos centrais de análise, articuladas ao diálogo com a história das instituições educativas (Magalhães, 2004) e com os debates sobre a memória, resistência, identidade, território e a contracolonialidade (Munduruku, 2012; Katu, 2024; Hall, 2006; Baniwa, 2006; Santos, 2023). A investigação busca compreender como a escola indígena se relacionou com os processos de etnogênese, afirmação identitária e reivindicação de direitos constitucionais, em especial no que se refere à demarcação territorial. No desenvolvimento da análise, discutimos os impactos das políticas educacionais, as tensões entre Estado e comunidade indígena e as estratégias contra-coloniais mobilizadas no cotidiano escolar. Os resultados evidenciam que a Escola Municipal Indígena João Lino da Silva foi ressignificada ao longo do tempo, tendo se consolidado como um espaço de produção de memória, resistência, pertencimento coletivo e fortalecimento das lutas que permeiam a comunidade indígena, além de exercer influência significativa sobre outras experiências de educação escolar indígena no Rio Grande do Norte. Conclui-se, portanto, que a escola se constituiu como um instrumento central de re(existência), articulando educação, território e identidade.