ARTE CONTEMPORANEA, CORPO E EXPERIENCIA MULTISSENSORIAL: DIALOGOS INCLUSIVOS NA FORMACAO DE PROFESSORES DAS INFANCIA
Corpo; Arte Contemporânea; Multissensorialidade; Educação Inclusiva; Formação de professores.
Esta pesquisa, intitulada Arte Contemporânea, Corpo e Experiência Multissensorial: diálogos inclusivos na formação de professores das infâncias, está vinculada à linha de pesquisa Educação e Inclusão em contextos educacionais, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN). O objetivo deste estudo foi analisar as experiências multissensoriais de professores em um processo formativo e suas repercussões na prática pedagógica, considerando a participação de crianças com e sem deficiência no ensino de Arte. A fundamentação teórico-metodológica desta pesquisa ancora-se no campo da Filosofia e da Arte, estabelecendo diálogos entre autores que trazem contribuições para pensar a educação pela sensibilidade, a partir de conceitos como: dialogismo e alteridade (Bakhtin, 2003); experiência (Larrosa, 2002); corpo e estesia, (Merleau-Ponty, 1994; Le Breton, 2016); Multissensorialidade (Soler, 1999; Silva, 2022). A abordagem metodológica é de natureza qualitativa. No que se refere aos objetivos, caracteriza-se como uma pesquisa exploratória (Gil, 2002). Em relação aos procedimentos técnicos, trata-se de uma pesquisa-intervenção (Jobim e Souza, 2005). Nossos interlocutores foram 16 professores de Arte que atuam no Ensino
Fundamental (anos iniciais e finais), na rede pública municipal de Parnamirim, no estado do Rio Grande do Norte (RN), associados a um curso de extensão (Arte Contemporânea, Corpo e Experiência Multissensorial - 60h), promovido pelo Núcleo de Educação da Infância (NEI), Colégio de Aplicação (CAp) da UFRN. Na programação do curso abordamos: o corpo na história da Educação Especial e na Arte Contemporânea; corpo, estesiologia e experiência estética; o corpo e os objetos na relação estética multissensorial; e as contribuições de Lygia Clark e Lygia Pape para a arte contemporânea, artistas que inspiraram o nosso percurso formativo. A
construção dos dados ocorreu por meio de entrevista individual e coletiva de forma semiestruturada; observação; oficinas pedagógicas; registros fotográficos e videográficos. Os resultados da pesquisa afirmam que o dialogismo, a alteridade e a intercorporeidade podem ser fios condutores do trabalho com a arte contemporânea com professores e crianças em uma perspectiva inclusiva. Nesse sentido, defendemos que a interface corpo, estesia, multissensorialidade e deficiência é uma possibilidade de se pensar práticas pedagógicas para todos os alunos em contexto escolar. Nessa perspectiva, o professor, ao participar de processos formativos pela corporeidade, amplia a sua consciência corporal e pode promover proposições de
experiências estéticas sensíveis no ensino de Arte Contemporânea na escola, considerando a participação de crianças com e sem deficiência.