Fiódor Dostoiévski; antropologia filosófica; Os demônios; dialogismo; complexidade.
O presente estudo tem por objetivo realizar uma leitura do romance Os demônios (1872–1873), do escritor russo Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, com vistas a elaborar uma proposta (re)integrativa entre o campo da arte literária e as culturas de pensamento humanístico. Buscando o diálogo entre as perspectivas do paradigma da complexidade de Morin, da pneumatologia de Nikolai Berdiaev e do dialogismo polifônico de Bakhtín, pretende-se construir um entendimento do romance como dispositivo discursivo e epistêmico, uma voz ativa nos debates contemporâneos, autora e instauradora de discursividades pertinentes às ciências humanas. Metodologicamente, a pesquisa vale-se da leitura hermenêutica dos textos literários — do romance analisado em particular e das demais obras do escritor em sua fase “pós-siberiana” —, bem como da análise bibliográfica das tradições críticas e exegéticas que se dedicaram à construção do conhecimento e à interpretação da obra de Dostoiévski, a fim de situar o atual estado da arte dos estudos dostoiévskianos sobre o romance. Considera-se também a dimensão histórica que atravessa sua obra, a partir, sobretudo, do trabalho biográfico realizado por Joseph Frank. Espera-se, ao fim, conduzir uma discussão que evidencie o valor epistemológico e experimental da arte literária, lançando nova luz sobre os elementos de uma antropologia filosófica presentes no cerne da obra dostoiévskiana.