MUSEOLOGIA SOCIAL NA MACAMBIRA: TERRITÓRIO, IDENTIDADE E POLÍTICA
Museologia Social; Quilombos; Memória Coletiva; Colonialidade; Comunidade Quilombola da Macambira.
A permanência de comunidades quilombolas no Brasil contemporâneo evidencia que a experiência negra ultrapassa os limites do passado escravista, manifestando-se em formas próprias de organização social, memória, territorialidade e produção cultural. Inserido nesse contexto, o Museu Quilombola da Macambira, localizado na Comunidade Quilombola da Macambira, no município de Lagoa Nova/RN, constitui-se como um espaço de elaboração da memória coletiva, reafirmação identitária e produção de narrativas sobre a própria comunidade. Fundado a partir de um acordo de compensação socioambiental vinculado à instalação de empreendimentos de energia eólica no território, o museu emerge em uma zona de tensão entre processos de fortalecimento comunitário e os discursos contemporâneos de desenvolvimento. Diante disso, a presente pesquisa tem como objetivo compreender de que maneira o Museu Quilombola da Macambira atua na produção e gestão da memória coletiva da comunidade, contribuindo para processos de reafirmação identitária e fortalecimento territorial em um contexto marcado pelas permanências da colonialidade. Para tanto, a investigação articula os Estudos Decoloniais e a Sociomuseologia, mobilizando as contribuições de Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez e Rosana Paulino para discutir memória, identidade e território quilombola; de Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Enrique Dussel para analisar os mecanismos da colonialidade e as possibilidades de desobediência epistêmica; e de Michael Pollak, Mário Moutinho, Judite Primo, Inês Gouveia, Mário Chagas, Átila Tolentino e Bruno Brulon para compreender os museus comunitários como espaços de disputa simbólica e afirmação política. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, pesquisa documental, análise do acervo museológico, observação em campo e história oral junto aos gestores e membros da comunidade. Almeja-se contribuir para o debate acerca da museologia social e dos processos de produção da memória em comunidades quilombolas, evidenciando o museu como ferramenta de autovaloração cultural, defesa territorial e fortalecimento de identidades negras historicamente subalternizadas.