AS RESISTÊNCIAS COIMUNITÁRIAS: Experiências do Instituto Social Grão de Mostarda RN, comunidade Novo Horizonte, e suas redes sociotécnicas
Teoria Ator Rede; Resistência; Coimunidade; Redes sociotécnicas; Micropolítica.
Esta pesquisa tem como objetivo compreender as dinâmicas de resistências coimunitárias na comunidade Novo Horizonte (antiga Favela do Japão), em Natal/RN, a partir da análise da controvérsia em torno dos efeitos da descontinuidade de projetos sociais na reconfiguração das redes sociotécnicas locais, tendo como foco central o Instituto Social Grão de Mostarda RN. A investigação busca compreender como o Instituto, juntamente com outras iniciativas locais lideradas por mulheres, se articula (ou não) com o legado deixado por ONGs, como a World Vision e projetos religiosos que atuaram na comunidade, especialmente a partir da década de 1990. Adotando como referencial teórico-metodológico a Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour, as reflexões de Peter Sloterdijk sobre a ideia de coimunidades e a proposta do Edgar Morin sobre a necessidade de construção de uma ética da habitabilidade da Terra. O estudo investigará como ex-participantes de projetos sociais descontinuados, majoritariamente mulheres, transformaram a experiência da descontinuidade de projetos anteriormente inseridos na comunidade, bem como a ausência de políticas públicas no território em mudanças propulsoras de ação coletiva, constituindo-se como actantes em redes sociotécnicas de resistência. O objetivo da pesquisa é mapear as associações entre actantes humanos e não-humanos nessas redes, analisar as práticas de autogestão e o ethos do cuidado sob a perspectiva do amor ao próximo, e compreender como essas iniciativas reconfiguram o tecido social local frente as assimetrias observadas na comunidade. A metodologia envolverá observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise documental, seguindo os princípios da TAR. Espera-se contribuir para a compreensão de processos de transformação social em contextos de vulnerabilidade, destacando o protagonismo comunitário em suas micropolíticas e as complexas relações entre legado, resistência e reinvenção.