LIVRO DIDÁTICO E SEMIÁRIDO: MEDIAÇÕES SOCIOTÉCNICAS NA CONSTRUÇÃO DE REDES PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Livro didático; Semiárido; Educação ambiental; Representações; Teoria Ator-Rede.
A presente tese investiga como o Semiárido brasileiro é representado nos livros didáticos de História e Geografia destinados ao Ensino Fundamental, aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), e de que maneira tais representações atuam na produção de sentidos no espaço escolar. Parte-se da compreensão de que o Semiárido não se reduz a uma categoria geográfica, sendo também uma construção histórica, cultural e simbólica, marcada por disputas de narrativas e por diferentes formas de interpretação do território. O estudo toma o livro didático não apenas como suporte de conteúdos, mas como elemento inserido em uma rede mais ampla de relações, articulando políticas públicas, práticas pedagógicas, professores e estudantes. A partir da Teoria Ator-Rede, busca-se acompanhar como essas representações circulam, são apropriadas e reconfiguradas no cotidiano escolar, considerando tanto os materiais didáticos quanto seus usos em sala de aula. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, com base na análise de conteúdo de livros didáticos recentes e na escuta de atores do contexto escolar, especialmente professores e estudantes. A investigação procura compreender em que medida as representações do Semiárido reforçam leituras centradas na escassez ou abrem espaço para perspectivas associadas à convivência, à educação ambiental e ao desenvolvimento regional. A análise buscar evidenciar que o sentido produzido não se encontra apenas nos livros, mas nas mediações realizadas no espaço escolar, indicando a importância de práticas pedagógicas contextualizadas para a construção de vínculos de pertencimento e de uma compreensão mais ampla do território.