DEPRESSÃO NO CONTEMPORÂNEO: UM ESTUDO SOCIOLÓGICO
Depressão; sociologia da depressão; individualismo moral; autonomia; culto da performance; modernidade tardia.
Esta pesquisa tem como objetivo compreender a depressão como um fenômeno sociológico característico da contemporaneidade, ultrapassando as interpretações estritamente biomédicas e psicológicas que a reduzem a um transtorno individual. Parte-se da hipótese de que o aumento expressivo dos diagnósticos depressivos está relacionado às transformações sociais, culturais e morais produzidas pela modernidade tardia, especialmente à intensificação do individualismo, das exigências de autonomia, da responsabilização individual e do culto à performance. A investigação fundamenta-se em revisão bibliográfica de caráter teórico e interdisciplinar, mobilizando contribuições da sociologia clássica e contemporânea. Em Émile Durkheim, destacam-se os conceitos de individualismo moral, solidariedade social e anomia, enquanto Alain Ehrenberg oferece uma interpretação da depressão como expressão da “fadiga de ser si mesmo” nas sociedades de desempenho. O estudo também dialoga com Anthony Giddens, Walter Benjamin, Richard Sennett, Hartmut Rosa e Byung-Chul Han, autores que analisam fenômenos como insegurança ontológica, empobrecimento da experiência, flexibilização do trabalho, aceleração social, psicopolítica e desaparecimento dos rituais. Argumenta-se que a depressão pode ser compreendida como um diagnóstico de época, revelando tensões estruturais entre autonomia e integração social, liberdade e responsabilização, desempenho e esgotamento subjetivo. Conclui-se que a sociologia oferece instrumentos fundamentais para compreender a depressão como expressão das contradições da vida social contemporânea, evidenciando a necessidade de análises que articulem sofrimento psíquico, individualidade e transformações históricas da modernidade.