ENTRE O CAOS E O SOM: O BACKSTAGE BAR E A CULTURA UNDERGROUND POTIGUAR
Underground; Sociabilidade; Corpo; Som; Cena musical.
Esta dissertação analisa o cenário underground musical da cidade de Natal (RN), tomando como principal espaço empírico o Backstage Bar, compreendido não apenas como um local de shows, mas como um espaço central de articulação do underground natalense. Mais do que um bar, o Backstage se configura como um ponto de encontro recorrente, no qual se concentram práticas, rituais e redes de sociabilidade que sustentam a cena potiguar, funcionando como um ambiente privilegiado de produção de experiências sensoriais, corporais e relacionais. O objetivo do trabalho é compreender como o som, o corpo e as formas de sociabilidade se articulam na constituição do underground enquanto uma vivência coletiva específica, marcada por afetos, intensidades e práticas compartilhadas. O referencial teórico dialoga com autores como Steve Goodman, especialmente a partir do conceito de guerra sônica e do continuum vibracional, Michel Maffesoli, com sua noção de sociabilidade e tribos urbanas, e Peter Sloterdijk, a partir das reflexões sobre atmosferas, ressonância e espacialidade. Metodologicamente, a pesquisa se baseia em observação etnográfica, registros de campo e análise das interações, práticas e discursos observados durante eventos musicais. A análise evidencia que o som atua como força vibracional capaz de mobilizar afetos coletivos, convocando os corpos à participação e produzindo atmosferas compartilhadas que sustentam vínculos sociais. Práticas como o mosh pit, os encontros pré e pós-show e as dinâmicas de colaboração entre bandas e frequentadores revelam formas específicas de sociabilidade que se organizam para além de estruturas institucionais formais. Conclui-se que o underground natalense, observado a partir do Backstage Bar, se constitui como uma experiência social marcada pela intensidade, pela presença corporal e pela construção coletiva de pertencimento.