LIRISMO ENTRE-MUNDOS: AS POTENCIALIDADES ONTOLÓGICAS DO SAMBA NO BRASIL
Teoria pós-colonial; estética preta; fabulação.
Este trabalho se concentra em analisar o samba enquanto uma manifestação estética afrobrasileira capaz de fabular múltiplas ontologias para a população afrodiaspórica que não esteja restrita à negatividade ontológica que caracteriza a experiência do negro na construção e perpetuação das estruturas simbólicas e materiais que fundam a modernidade euro-ocidental. Neste sentido, a pesquisa parte da tese de negatividade ontológica da maneira como é pensada pelo afropessimismo, para um segundo movimento dentro do próprio campo dos black studies e da teoria pós-colonial: o movimento de pensar a fuga desta estrutura através da estética preta, senda esta, própria da vivência afrodiaspórica, pluriontológica e de capacidade fabulativa. Esta concepção estabelece inicialmente um conflito que lida diretamente com a forma tradicional da crítica estética conceber a poética, ou seja, como a constatação de um espírito de época. Combatendo frontalmente a estética conformista de Franco Berardi e Mark Fisher, nas obras, Depois do Futuro (2009), e Fantasmas da minha vida: escritos sobre depressão, assombrologia e futuros perdidos (2024), respectivamente, me utilizo da centralidade da música no chamado atlântico negro como pensado por Paul Gilroy em sua obra de 2023, O atlântico negro. Em sequência, a pesquisa se desenvolve enquanto análise de como esta percepção estética irá aparecer inicialmente como uma intuição em W. E. B Du Bois, em As almas do povo negro (2023), e efetivamente enquanto performance no Jazz como observado por F. Moten, em Na quebra: a estética da tradição radical preta (2023). Por fim, tendo como base o conceito de fabulação usado por C. Sharpe na obra No vestígio: negridade e existência 2023, finalmente elaboro como é possível para o samba representar um mecanismo de fabulação de mais existência pela população da afrodiáspora no Brasil.