Contribuições para uma Economia Política da Saúde Mental na América Latina
Economia Política; Saúde Mental; América Latina.
Quando se fala em saúde mental, saltam por todos os lados os altos índices de diagnósticos: depressão, ansiedade, TDAH, transtorno do espectro autista, borderline; entre tantos outros que buscam contornar a experiência do sofrimento na sociedade atual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou que já são mais de um bilhão de pessoas com algum transtorno mental no mundo, elencando como fatores de ameaças estruturais à saúde mental as desigualdades sociais e econômicas, ligados às condições da saúde pública, crise climática e guerra. Considerando os índices que correspondem ao território latino-americano, observa-se que, entre todas as regiões do mundo, este não só manteve, como obteve um incremento de 17% nas taxas de suicídio, mantém a posição de maiores taxas de ansiedade e ocupa o segundo lugar quando se trata da depressão. Um fator preponderante para os processos de diagnósticos é o caráter individualizante que reduz as possibilidades de tratamento e as causas do sofrimento aos indivíduos. Diante disso, esta pesquisa se insere no campo de estudos que questiona a proliferação dos diagnósticos com caráter individualizante, tendo como ponto de partida a necessidade de contextualizar historicamente a produção do sofrimento. Frente aos índices da América Latina e a constatação de fatores socioeconômicos como causas da epidemia de diagnósticos, na contramão da lógica individualizante, o presente trabalho terá como objetivo traçar contribuições para uma economia política da Saúde Mental na América Latina. Através de uma análise comparativa e com o materialismo histórico-dialético como base, serão analisadas as políticas de saúde mental entre 2005 e 2025 no Brasil, na Argentina e no Uruguai, combinando as análises com entrevistas a 5 profissionais da saúde mental de cada um dos países, a fim de unir elementos suficientes para a compreensão de uma economia política.