Percepções sobre o impacto da educação na vida de estudantes do Campus Parnamirim do IFRN
Campus Parnamirim do IFRN; Educação pública; Impacto na vida dos estudantes; Mobilidade social; Sociologia da Educação.
A educação pública brasileira ocupa um lugar paradoxal: é afirmada como direito social e promessa de emancipação, mas se realiza em um contexto de desigualdades persistentes que condicionam, de modo seletivo, suas capacidades de produzir mobilidade social. Esta dissertação analisa as percepções sobre o impacto da educação na vida de estudantes do Campus Parnamirim do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), tomando como foco os projetos educacionais do campus e suas mediações na trajetória discente. O objetivo é compreender como, para quem e sob quais mediações institucionais e sociais tais projetos influenciam aprendizagem, permanência, pertencimento, reconhecimento e construção de futuro, considerando clivagens de classe, raça, gênero, deficiência e capital cultural de origem. A investigação articula um enquadramento teórico integrado que combina o constitucionalismo social brasileiro (dignidade e vinculatividade do direito à educação) com a sociologia da educação e da estratificação, mobilizando categorias como reprodução e distinção, disposições e variações individuais, reconhecimento e subcidadania, além dos condicionantes materiais da vida social. Metodologicamente, adota abordagem qualitativa e estudo de caso, com entrevistas semiestruturadas com egressos(as) de cursos técnicos integrados, docentes e gestores, complementadas por análise documental (normativas e dados institucionais, incluindo instrumentos de planejamento) e triangulação analítica por meio de análise de conteúdo. Os resultados interpretam os projetos como dispositivos que podem ampliar capacidades reais ao favorecer conversões de capital cultural, redes e reconhecimento institucional; contudo, evidenciam que os efeitos são heterogêneos e atravessados por barreiras materiais e simbólicas, de modo que a mobilidade possível tende a ser condicionada por desigualdades estruturais e pela forma como a instituição desenha apoios e oportunidades de participação.