Do Ciberativismo ao processo de polarização político-social no Brasil (2018-2024): o fenômeno das fakenews
Ciberativismo; Tecnofascismo; Desinformação; Discurso de Ódio; Netnografia.
A presente pesquisa investiga as dinâmicas do ciberativismo brasileiro contemporâneo frente à denominada "indústria do ódio" e à proliferação de desinformação (fake news). O estudo analisa o estratagema político-social de grupos e organizações que operam nesse ecossistema, examinando como suas práticas retroalimentam a polarização política no Brasil e viabilizam a ascensão de figuras representativas à esfera legislativa. A análise empírica debruça-se sobre o conteúdo de dois canais proeminentes na plataforma YouTube: o Canal Mamãe Falei (CMF) e o Movimento Brasil Livre (MBL). Metodologicamente, a investigação adota a perspectiva netnográfica (KOZINETS, 2014), articulada à análise semiótico-discursiva, para mapear perfis organizacionais e identificar variáveis mensuráveis no discurso de ódio. A problematização abarca a atuação das Big Techs, os mecanismos de desinformação e a adesão de setores específicos, como grupos religiosos, empresariais e o agronegócio. A discussão teórica é estruturada a partir de categorias analíticas emergentes — ciberativismo, exclusão social, racismo, sexismo e negacionismo — sob a luz do referencial teórico de HAN (2018, 2021), ARENDT (1999, 2007), MENEGAT (2020), FAUSTINO E LIPPOLD (2022), CESARINO (2022), MORIN (2007, 2011) E MOROZOV (2021). Almeja-se, em última análise, compreender o cenário sociocultural e político brasileiro decorrentes da ascensão da onda pós-fascistas no contexto da governamentalidade algorítmica global.