A poética do subjétil enlouquecido nos desenhos-escritos de Antonin Artaud
Antonin Artaud; subjétil; desenhos-escritos; Poética, Complexidade.
Esta pesquisa visa investigar o fazer artístico do multiartista francês Antonin Artaud (1896–1948) através de seus desenhos-escritos e a partir de sua noção de “subjétil”. Deste modo, a investigação busca compreender as formas pelas quais a relação entre gesto, corpo e suporte configura o subjétil enlouquecido como categoria estético-filosófica e fundamenta uma poética contemporânea. O estudo adota uma perspectiva transdisciplinar ancorada no paradigma da complexidade como proposto por Edgar Morin (1984, 2005) e a partir de seu método “in-vivo”, que privilegia a apreensão dos fenômenos em sua emergência e inter-relação. Em articulação com essa abordagem, a pesquisa mobiliza estratégias de análise que integram dimensões visuais, sensíveis e interpretativas — inspiradas pelo pensamento lévi-straussiano (Lévi-Strauss, 1997) — para a análise do corpus composto por textos e produções visuais de Artaud, com ênfase nos desenhos-escritos realizados em seu último período de internação (1943–1948). A investigação é também atravessada pela prática de registro em cadernos de pesquisa, compreendida como uma atividade que acompanha o pensamento em movimento (Latour, 2012), englobando ainda aspectos de uma “antropologia desenhada” (Azevedo, 2016). O eixo teórico se desenha a partir das reflexões de Jacques Derrida (1998) sobre o subjétil, propondo uma abordagem que enfatiza a co-agência entre artista e suporte, compreendendo o subjétil como um campo limiar entre sujeito e objeto. Esta perspectiva se entrelaça com múltiplos aspectos da vida e obra de Artaud (2004; Mèredieu, 2011), que, por sua vez, suscitam abarcar o trabalho de outros autores que versam sobre a concepção artaudiana de arte e cultura, como Ana Kiffer (2016; 2018) e Alex Galeno (2002; 2018), e sobre a relação entre loucura e criação artística, como Nise da Silveira (2015; 2024) e Deleuze e Guattari (2011). A partir desse percurso, a pesquisa propõe compreender o subjétil enlouquecido como uma instância poética ativa no processo criativo de Artaud, oferecendo uma chave de leitura que reposiciona o fazer artístico como um processo vital, relacional e materialmente implicado, capaz de projetar os limites entre artista e suporte.