A VIVÊNCIA COLETIVA E SOCIALIZAÇÃO ALIMENTAR EM HORTAS COMUNITÁRIAS: FAMILIARIDADE E NEOFOBIA FRENTE A ALIMENTOS NEGLIGENCIADOS EM CONTEXTOS URBANOS
Capital social; Socialização alimentar; Hortas comunitárias; Neofobia alimentar; Biodiversidade alimentar.
A redução da diversidade alimentar nos contextos urbanos contrasta com a ampla biodiversidade disponível no Brasil, onde alimentos negligenciados, como plantas alimentícias não convencionais, fungos e outras espécies subutilizadas, permanecem marginalizados nas práticas cotidianas. Este estudo investiga como a participação em hortas comunitárias se relaciona à construção social da familiaridade com esses alimentos, articulando o conceito de neofobia alimentar como disposição potencialmente modulada por experiências coletivas. Adota-se um desenho de métodos mistos, com abordagem quantitativa e qualitativa. A etapa quantitativa compara níveis de neofobia alimentar entre indivíduos com diferentes níveis de experiência em hortas comunitárias, utilizando a Food Neophobia Scale e um escore contínuo de experiência. A etapa qualitativa, por meio de entrevistas semiestruturadas, explora os mecanismos sociais que mediam possíveis mudanças disposicionais, como exposição repetida, modelagem social, comensalidade e aprendizagem coletiva. Parte-se da hipótese de que maior intensidade e duração da experiência em hortas estejam associadas a menores níveis de neofobia e maior familiaridade com alimentos negligenciados. Ao integrar análise estatística e interpretação sociológica, o estudo contribui para compreender o comportamento alimentar como fenômeno socialmente construído, oferecendo subsídios para políticas de educação alimentar e promoção da biodiversidade em contextos urbanos.