Religando o Horror: a obra de Junji Ito como expressão da complexidade
Junji Ito; mangá; horror; complexidade; humanidades.
Esta dissertação visa investigar de quais formas os mangás de horror do autor japonês Junji Ito publicados no Brasil entre 2017 e 2025 podem atuar como recursos de expressão da complexidade da condição humana e contribuir para a construção de saberes interdisciplinares nas Humanidades. Atualmente, Ito é um dos nomes mais relevantes e renomados quando falamos do gênero do horror nos quadrinhos. O bizarro e o grotesco envoltos numa atmosfera de tensão que cresce de forma iterativa e seu traço singular, que tensiona os limites entre o real e o surreal, são marcas registradas do autor. É frente a isso e ainda motivada pela crescente visibilidade que os mangás desse mestre do horror têm experimentado no cenário editorial brasileiro que esta dissertação se situa. Assim, esta propõe uma análise de suas narrativas gráficas como dispositivos que tensionam os limites entre arte, cultura e ciências sociais. Fundamentada principalmente no paradigma da complexidade de Edgar Morin (1984; 1999), nos debates acerca do horror artístico (Carroll, 2000) e da ideia de abjeção (Kristeva, 1982) e apoiada nas ferramentas teórico-metodológicas dos estudos de quadrinhos, destacando neste campo Thierry Groensteen (2013; 2015), a dissertação adota um método qualitativo, in-vivo e ensaístico, organizada em três percursos: o primeiro aborda o mangá na sua invenção, na sua indústria editorial e na sua compreensão como fenômeno complexo; o segundo mapeia os biografemas de Ito e aprofunda o debate sobre o horror abjeto, investigando a noologia (circulação de ideias como "seres do espírito") e as thémata itoianas; e o terceiro apresenta ensaios teóricos interdisciplinares que associam os mangás de Ito ao conhecimento das ciências sociais e humanas. Na encruzilhada onde os três percursos se encontram, conclui-se que a obra de Ito, como operador cognitivo, oferece ferramentas críticas para refletir sobre os desafios da contemporaneidade, religando ciência, arte e imaginação.