Antro(to)pologias da inversão em Tim Ingold: imersões no mundo virado do avesso
Esta pesquisa investiga os “processos de inversão” que modulam o habitar ocidental moderno, tomando como eixo a formulação de Tim Ingold sobre a produção de um “mundo realmente invertido”: um mundo virado de fora para dentro e estruturado por clivagens tecnogênicas entre interiores e exteriores, no qual o ambiente aberto é progressivamente banido em favor de seus simulacros (imagens, modelos, interfaces e esquemas). Argumenta-se que tais processos não se restringem ao plano epistemológico ou representacional, mas operam também nos registros habitacionais, estéticos e científicos, consolidando espaços de conforto e isolamento conectado – aqui articulados à figura do “exbitante” e ao imperativo fugere mundi. Em diálogo com Sloterdijk, Martin, Haraway e Tsing, sustenta-se que a lógica de inversão participa da economia política e da topologia extrativista do antropoceno, intensificando regimes de perturbação ecossistêmica (plantations, mineração, infraestruturas) e convertendo-os, por acúmulo e retroalimentação, em desregulação atmosférica planetária. Metodologicamente, trata-se de pesquisa teórico-bibliográfica.