Corpos emancipados: aproximações interespécie entre mulher e animal na pintura e performance
Performance, pintura, feminismo interseccional, decolonialidade, antiespecismo.
Por meio de uma abordagem feminista interseccional, decolonial e antiespecista, ancorada na crítica de processo, a presente pesquisa parte de alguns trabalhos realizados pela artista potiguar Geovana Grunauer, entre 2020 e 2025, com o intuito de aprofundar os campos teóricos de uma produção ainda curso. Seguindo um recorte temporal de cinco anos de criação, a pesquisa se debruça em páginas de cadernos de artista, sketchbooks, pinturas e performances anteriormente feitas, investigando os elos que conectam temporalmente essas produções. A pesquisa dialoga principalmente com as autoras Lerner (2019) e hooks (2019) no que se refere às relações de assujeitamento que prefiguram a socialização das mulheres, as quais estão vinculadas à opressão sexista, que é base para todas as outras opressões. A escrita também elenca o pensamento antipatriarcal, antirracista e não-antropocêntrico das irmãs e ativistas Ko e Syl Ko (2025), juntamente com a abordagem filosófica pelos direitos dos animais de Francione (2008). Mediante os desdobramentos críticos gerados, a artista propõe novos trabalhos nas linguagens da pintura e da performance, de maneira a estabelecer aproximações interespécies entre mulher e animal, sob uma perspectiva não-antropocêntrica. Dessa forma, o projeto reflete sobre os índices criativos e as escolhas feitas no decorrer desses processos artísticos, ao passo que busca ampliar os territórios políticos já acionados pela produção no instante em que fricciona ainda mais algumas problemáticas que tangenciam as questões de alteridade envolvidas nessa relação.