Instrumentos de gestão editorial e mecanismos normativos para a prevenção de usurpação de artigos em periódicos de instituições públicas brasileiras
Integridade científica; Usurpação de artigos; Editoração científica; Má conduta acadêmica; Governança editorial.
Em um sistema financiado majoritariamente por recursos estatais, os periódicos de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas operam como veículos de prestação de contas, cuja eficiência depende da normativa que ampara a atuação dos editores frente a fraudes de autoria. Para tanto, o objetivo da dissertação foi propor instrumentos de gestão editorial e mecanismos normativos voltados à identificação e prevenção da usurpação de artigos científicos em periódicos de IES públicasbrasileiras. Metodologicamente, tratou-se de uma pesquisa aplicada de abordagem qualitativa, fundamentada em levantamento bibliográfico automatizado (plataforma Consensus) e análise documental jurídica (portal Jusbrasil). O estudo selecionou processos judiciais por representatividade tipológica para confrontar a teoria da integridade com a prática judiciária nacional. Como resultados, identificou-se que o sistema jurídico brasileiro opera com um léxico impreciso, enquadrando a usurpação sob o rótulo genérico de "violação de direitos autorais", o que dificulta a punição de formas sofisticadas de apropriação. A pesquisa sistematizou quatro modalidades de usurpação: material (texto), estrutural (ideias/método), procedimental (processo editorial) e simbólica (reputação). O estudo conclui que a ausência de uma taxonomia unificada e a fragmentação de marcos legais contribuem para a impunidade na usurpação acadêmica. A transição para uma governança epistêmica proativa exige instrumentos técnicos que convertam suspeitas subjetivas em categorias operacionais auditáveis. Foram elaborados três produtos técnicos complementares: Glossário de Termos de Editoração Científica; Diretriz de Política Editorial contra a Usurpação; e Anteprojeto de Lei para tipificação da usurpação científica. O estudo reafirma o papel da Administração Pública na proteção da ciência como bem público e patrimônio imaterial da nação, oferecendo ferramentas para salvaguardo da soberania cognitiva e a credibilidade do sistema nacional de C&T.